Teoria da vacinação com cotonetes do teste da COVID não tem fundamento

Publicado originalmente em Covid-19 DivulgAÇÃO Científica por Alessandra Ribeiro. Para acessar, clique aqui.

Mensagem falsa em circulação por grupos de WhatsApp sugere que swabs carregariam nanopartículas com propriedades de imunização

Circula pelo WhatsApp uma mensagem falsa, segundo a qual a vacinação teria começado há muito tempo, com os testes para o diagnóstico da COVID-19. “Os cotonetes de teste da COVID-19 podem depositar a tecnologia nano diretamente no cérebro. Os cotonetes contêm nanopartículas que podem vacinar as pessoas que se submeteram ao teste PCR”, diz o texto.

O pesquisador da Fiocruz e coordenador da Unidade de apoio ao Diagnóstico da COVID-19 (Unadig) da instituição no Ceará, Eduardo Ruback dos Santos, é enfático ao afirmar que o conteúdo da mensagem não tem fundamento. “O swab [cotonete] só chega, no máximo, até a parte mais interna da fossa nasal. Em termos de distância anatômica, podemos dizer que está bem longe do cérebro”, afirma.

Santos também contesta a viabilidade financeira da suposta aplicação de nanopartículas em um cotonete. “O preço de custo do swab é de dois centavos de real, quando comprado no atacado. Para introduzir nanopartículas no swab, teria que ser algo bem mais caro, porque envolveria tecnologia de ponta”, pondera. Somente na Unadig do Ceará, foram realizados mais de 1,3 milhão de testes para o diagnóstico da COVID-19 desde o início da pandemia, portanto, os custos com a compra do material em larga escala seriam altos.

O pesquisador explica que as nanopartículas, hoje presentes em vários produtos do nosso dia a dia, desde tintas para residências a cosméticos, são partículas extremamente pequenas – cerca de 10 milhões de vezes menores que um centímetro – e que os próprios vírus são organismos nanométricos.

Quanto à aplicação de uma vacina pelo nariz, Santos lembra que ainda não há imunizantes contra a COVID-19 por via nasal com eficácia satisfatória. “Houve aquela história de um spray anticovid, que seria desenvolvido em Israel, mas viram que realmente a vacina precisa de certo nível de eficiência na entrada. Essa via de entrada é promissora, mas ainda está sendo estudada”, relata.

A teoria da aplicação de uma vacina com os cotonetes utilizados na coleta do material analisado no teste de PCR – considerado o padrão ouro para o diagnóstico da COVID-19 – despreza, ainda, questões éticas e regulatórias. “Um swab que estivesse carregando qualquer outra coisa seria testado e aprovado pelos órgãos responsáveis; no caso do Brasil, a Anvisa”, diz.

A hipótese da vacinação pelos cotonetes também improvável porque o resultado de todos os exames seria positivo, caso os swabs contivessem nanopartículas em sua superfície com material genético do coronavírus. “Eu espero que depois de ler esse tipo de notícia, as pessoas não imaginem que estão vacinadas porque fizeram o teste de COVID”, alerta o pesquisador da Fiocruz.

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