Saiba o que acontece se você atrasar a segunda dose da vacina contra a COVID-19

Publicado originalmente em i4 Plataforma de Notícias por Guilherme Henrique e Tuãne Araújo. Para acessar, clique aqui.

A correria do dia-a-dia ou a desinformação que circula em redes sociais  podem fazer com que alguém que já tomou a primeira dose do imunizante contra o novo coronavírus, perca o dia certo da sua segunda vacinação. Mas, você sabe o que acontece com o atraso ou a falta da segunda dose?

Imagem: Freepik.com

No Plano de Imunização Nacional (PNI) ou Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a COVID-19, constam quatro vacinas que estão sendo aplicadas no município de São Borja e em todo o Brasil. A CoronaVac, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac; a Covishield, desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, da Universidade de Oxford com parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); e a Comirnaty, desenvolvida pela empresa farmacêutica Pfizer e a empresa alemã BioNTech.

Essas três vacinas têm algo em comum: as suas desenvolvedoras recomendam que as vacinas sejam aplicadas em duas doses. A CoronaVac (Butantan/Sinova) deve ser aplicada no intervalo de duas a quatro semanas, já a Covishield (AstraZeneca/Oxford/FioCruz) a recomendação é do intervalo de 10 semanas de cada dose, e a Comirnaty (Pfizer/BioNTech), as doses devem ser administradas em um intervalo maior ou igual a 21 dias. Novos estudos decorrentes do processo de vacinação, em conjunto com as novas variantes, entre elas a Delta, trazem novas orientações do Ministério da Saúde, essas novas recomendações são referentes ao intervalo de aplicação entre a primeira e a segunda dose. Com mudanças frequentes a orientação é ficar atento aos portais de notícias jornalísticos de credibilidade para saber qual a orientação do momento. Com exceção da vacina Janssen, da divisão farmacêutica Johnson & Johnson, que é de dose única. 

Até o momento da publicação desta matéria a orientação no estado do Rio Grande do Sul é que a aplicação da segunda dose da Astrazeneca seja de 10 semanas, com previsão de alteração do intervalo, pelo Ministério da Saúde para 21 dias, nas vacinas Astrazeneca e Pfizer.

Ilustração: Tuãne Araújo

A IMUNIZAÇÃO

O processo de imunização do nosso corpo acontece através do reconhecimento de algum invasor. Esse mecanismo começa através do contato natural com a doença ou através da vacina, sendo essas duas formas de imunização semelhantes, segundo o professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e pesquisador em Farmácia, Bioquímica e Farmacologia, Michel Mansur Machado. A vacina funciona como um ativador, que faz com que inicie todo um processo complexo de reconhecimento. Machado explica que o corpo aprende a se defender do invasor que, nesse caso, é o vírus Sars-CoV-2, produzindo células responsáveis por matar esses invasores e pela produção de anticorpos. A vacina é uma forma importante de adquirirmos essa proteção sem que tenhamos o contato direto com o coronavírus, trazendo os benefícios da proteção e do reconhecimento do vírus, mas sem os malefícios e sintomas que a doença acarreta: “ensinando o organismo, de uma forma segura, a produzir essa defesa no momento que eu tiver esse contato (com o vírus)”, explica o professor. Mas se deve ficar atento, a imunização não é garantia que possa impedir que não haja a infecção da doença. Caso aconteça a presença da COVID-19, Machado explica que o imunizante irá fazer com que o sistema imunológico responda de uma maneira mais rápida e eficaz, tornando assim a doença muito menos grave do que seria sem o processo de vacinação. 

SOBRE OS IMUNIZANTES 

Machado explica que existem várias formas de produção de vacinas. Nas vacinas contra o novo coronavírus há três principais métodos: uma utiliza o vírus completo inativado; outra forma insere uma partícula de adenovírus da proteína externa do vírus que são colocadas implantadas dentro de outro vírus inativado; e a terceira usa a própria proteína para reconhecer e produzir defesa. A diferença entre elas é a forma como o corpo será ensinado a reconhecer o invasor, porém o objetivo é o mesmo: impedir a forma mais grave da doença. 

Todas as vacinas foram testadas para que chegassem à população. O uso emergencial foi concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a partir de estudos que comprovaram a segurança e a eficácia delas. Atuando na prevenção, através da indução de anticorpos, os imunizantes reduzem a possibilidade da infecção do coronavírus. Atualmente, as vacinas Coronavac, Covishield e Comirnaty oferecem uma alta proteção para casos graves da doença e a óbitos. Em termos de proteção, a Coronavac apresenta, contra qualquer forma da doença, uma eficácia global de 50,38%; a Covishield, 73,43% após duas doses da vacina; e a Comirnaty verificou-se uma eficácia de 95% na prevenção contra a COVID-19, também após a aplicação das duas doses.

Ilustrações: Tuãne Araújo

Para que se obtenha a porcentagem de proteção almejada é necessário que se cumpra todo o cronograma de vacinação proposto pela fabricante que, nesses três casos, é necessário aplicação de uma segunda dose. Esse processo de imunização inicia com a aplicação de uma primeira dose, fazendo com que comece a produção de células de defesa. Porém, essa produção não contém uma concentração suficiente para combater a doença. Machado explica que ao reconhecer essa insuficiência, as desenvolvedoras das vacinas recomendam a aplicação de uma segunda dose, dando assim um novo impulso nessa produção. Tornando o processo suficiente para realizar o combate no caso de contato com a doença. Diferente da vacina da Jassen, que obteve um resultado positivo com apenas uma dose. 

A importância da segunda dose para o controle da pandemia 

É fundamental que o esquema vacinal, ou seja, as duas doses, sejam tomadas. As vacinas não impedem de se adquirir a doença, mas se tomadas corretamente fazem com que as consequências desse contato sejam muito menores. Para o pesquisador Michel Machado, todas as vacinas são importantes, visto que todas reduzem de maneira significativa o risco de internações, efeitos graves da COVID-19 e, principalmente, os óbitos. Com a imunização e os cuidados de prevenção da doença, como o uso de máscara, álcool 70% e distanciamento social, conseguiremos erradicar a pandemia. Para entender mais sobre o que acontece se você não tomar a vacina, assista o vídeo do i4 explica:

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