Especialistas desmistificam fake news sobre vacinas

Publicado originalmente em União Pró-Vacina por Thaís Cardoso. Para acessar, clique aqui.

Além das severas consequências trazidas pela covid-19 em todos os campos, a população mundial enfrenta um mal tão grave quanto o próprio coronavírus: a onda de desinformação envolvendo a doença e, principalmente, as vacinas contra ela. Para discutir esse tema dentro do especial sobre vacinação, o USP Analisa desta semana conversa com a biomédica especialista em imunologia Ana Alice de Aquino, a estudante de ciências biológicas da USP Ribeirão Preto Nathália Pereira da Silva Leite e o estudante de ciências farmacêuticas da USP Ribeirão Preto Wasim Syed. Eles integram a União Pró-Vacina, uma importante iniciativa de diversas instituições para combater a desinformação sobre vacinas.

Na primeira parte da entrevista, eles esclarecem diversas fake news comuns sobre vacinas contra a covid-19 e contra outras doenças em geral. Uma delas, por exemplo, é uma tradicional confusão sobre a proteção de vacinas contra a influenza, já que algumas pessoas, mesmo vacinadas, acabam desenvolvendo gripe.

“Algumas vacinas, apesar de não impedirem o desenvolvimento da doença, são capazes de atenuá-la. O indivíduo desenvolve um quadro gripal mais leve, evitando complicações. Outro motivo para isso é que as vacinas contra a gripe distribuídas no Brasil são trivalentes ou tetravalentes, ou seja, protegem contra três ou quatro subtipos do vírus influenza. E existem outros subtipos circulantes e também outros vírus que podem causar resfriado. Então o indivíduo pode ter quadros de gripe ou resfriado e achar que a vacina não serviu, quando, na verdade, não é isso que acontece”, explica Ana Alice.

Outra tradicional desinformação disseminada é sobre o uso de células de fetos abortados nas vacinas. Wasim explica que essa fake news data da década de 70. “Quando a gente produz uma vacina, é preciso cultivar o vírus que será utilizado nela. Vírus precisam de células para se replicar e uma dessas células utilizadas é a hek293, que é derivada de células renais de um feto abortado na década de 70. Essas células tiveram seu DNA modificado para não morrerem nem envelhecerem e, a partir delas, foram feitos clones. Portanto não é a mesma célula, são clones dela. Vacinas não são produzidas com células de fetos abortados, não contêm células de fetos abortados e você não vai abortar se tomar vacina”, afirma ele.

Nathália destaca que o uso de células em laboratório precisa ser desmistificado. “Essas células são só uma ferramenta que a gente utiliza, respeitando todas as questões éticas – e existem muitas questões éticas quando se trabalha com células humanas, de animais ou mesmo com os próprios animais em laboratório”, ressalta ela.

A entrevista vai ao ar nesta quarta (10), a partir das 18h05, com reapresentação no domingo (14), às 11h30. O programa também pode ser ouvido pelas plataformas de áudio iTunes e Spotify

USP Analisa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o programa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram.

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