COVID-19 muda percepção de espectadores do filme ‘Contágio’

Publicado originalmente em Covid-19 DivulgAÇÃO Científica por Alessandra Ribeiro. Para acessar, clique aqui.

Ficção de Steven Soderbergh aborda a propagação do vírus causador de uma nova doença e retrata o cenário apocalíptico decorrente de sua letalidade descontrolada

A pandemia da COVID-19 mudou a percepção dos espectadores do filme ‘Contágio’ (2011), uma década depois de seu lançamento, revela a análise de 4,8 mil comentários publicados na rede social Letterboxd, que reúne usuários interessados em cinema. 

Desde o início da pandemia, o título passou a figurar entre os mais buscados em diversas plataformas de streaming, à frente até mesmo de lançamentos atuais, e alcançou o nível máximo de interesse, medido pelo Google Trends, entre os dias 15 e 21 de março de 2020. 

Em artigo publicado na revista científica Galáxia, publicação da PUC São Paulo, a pesquisadora Luisa Massarani, coordenadora do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, e os pesquisadores Luiz Felipe Fernandes Neves e Penélope Andreani Valadares, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), descrevem as mudanças na percepção dos espectadores do filme, antes e depois da pandemia. 

O marco temporal considerado foi 30 de janeiro de 2020, data em que a Organização Mundial da Saúde declarou o novo coronavírus como uma emergência de saúde pública de importância internacional.

A partir das palavras e termos mais frequentes usados nos comentários sobre o filme, coletados no período de agosto de 2011 a outubro de 2020, os pesquisadores observaram que a avaliação dos espectadores passou a ser baseada mais na verossimilhança da situação sanitária retratada do que nos aspectos cinematográficos do longa-metragem. 

Nas avaliações anteriores à pandemia, as críticas eram relacionadas principalmente à direção, ao elenco e aos personagens. Depois, prevalecem termos relacionados aos fatos da atualidade, como vida real, situação atual, pandemia de COVID, pandemia atual, mundo real, pandemia do coronavírus e eventos atuais.

A palavra pandemia é a mais frequente a partir do marco temporal estabelecido, presente em cerca de 14% dos comentários ‒ o dobro da presença verificada nas avaliações anteriores, nas quais as palavras surto e epidemia são mais empregadas para se referir à situação retratada pelo filme. O mesmo ocorre com as palavras coronavírus e COVID, praticamente não utilizadas anteriormente, mas que aparecem entre as dez mais frequentes nas críticas mais recentes.

Os autores do artigo sugerem que, até o surgimento da COVID-19, o enredo representava para os espectadores uma situação extrema que parecia distante da realidade. Naquele momento, o foco dos comentários estava na produção, direçáo e autores. Com a pandemia do novo coronavírus, o medo gerado pela trama fictícia de um filme-catástrofe é substituído pela associação com a realidade e as medidas de prevenção necessárias para tentar evitar o alastramento da doença.

O estudo mostra o potencial do cinema para a divulgação científica ao abordar conceitos, temas, processos e controvérsias da ciência e da saúde.

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