Desvendando a história escondida no material genético

Publicado originalmente em Pretty Much Science por Lucia Barzilai. Para acessar, clique aqui.

Uma das áreas da biologia voltadas para o estudo de doenças infecciosas, a filodinâmica, nos permite fazer uma viagem ao passado e, através de informações contidas no material genético dos organismos causadores da doença.

A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo muitas mudanças, incluindo o aumento significativo do consumo de conteúdos científicos. Passamos a acompanhar de perto as novas descobertas e observar o protagonismo desses profissionais em diversos meios de comunicação. Para muitos, o papel central dos cientistas nesse cenário se resume à busca pela vacina ou por uma cura. Entretanto, a pesquisa básica também possui um importante papel nesse contexto. Diferente da pesquisa aplicada, a pesquisa básica tem como foco ampliar o conhecimento sobre um determinado tema, sem o objetivo de desenvolver novas tecnologias ou produtos. Mas então, o que ela nos diz? 

Uma das áreas da biologia voltadas para o estudo de doenças infecciosas, a filodinâmica, nos permite fazer uma viagem ao passado e, através de informações contidas no material genético dos organismos causadores da doença (patógenos), reconstruir sua história evolutiva. Utilizando métodos estatísticos específicos aplicados em programas computacionais, podemos estimar alguns fatores determinantes para o combate das epidemias. Dentre as possibilidades, podemos: 

1. Estabelecer relações evolutivas entre organismos (ou grupos), com base na diversidade genética da população. 

2. Mapear as mudanças (substituições) ocorridas no material genético e sua relevância para a sobrevivência dos patógenos. 

3. Determinar o histórico de transmissão do patógeno em uma população. 

4. Confirmar a escala de tempo da epidemia, datando sua origem e o aparecimento de variantes genéticas. 

5. Reconstruir a rota de dispersão do patógeno – ou seja, seu espalhamento por diferentes países – através da relação entre a escala de tempo e das informações da localidade de cada amostra analisada. 

Através desses dados podemos analisar todo o processo de desenvolvimento da doença, mesmo antes de sabermos que ela existia. Essas informações são fundamentais para o desenvolvimento das pesquisas aplicadas, que auxiliam na determinaçãode medidas preventivas, como o isolamento social e a vacinação, ou de protocolos de tratamento

Fontes/Sources: 

-Pybus, Oliver G., and Andrew Rambaut. “Evolutionary analysis of the dynamics of viral infectious disease.” Nature Reviews Genetics 10.8 (2009): 540-550. 

-Grenfell, Bryan T., et al. “Unifying the epidemiological and evolutionary dynamics of pathogens.” science 303.5656 (2004): 327-332. 

View this post on Instagram

A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo muitas mudanças, incluindo o aumento significativo do consumo de conteúdos científicos. Passamos a acompanhar de perto as novas descobertas e observar o protagonismo desses profissionais em diversos meios de comunicação. Para muitos, o papel central dos cientistas nesse cenário se resume à busca pela vacina ou por uma cura. Entretanto, a pesquisa básica também possui um importante papel nesse contexto. Diferente da pesquisa aplicada, a pesquisa básica tem como foco ampliar o conhecimento sobre um determinado tema, sem o objetivo de desenvolver novas tecnologias ou produtos. Mas então, o que ela nos diz? Uma das áreas da biologia voltadas para o estudo de doenças infecciosas, a filodinâmica, nos permite fazer uma viagem ao passado e, através de informações contidas no material genético dos organismos causadores da doença (patógenos), reconstruir sua história evolutiva. Utilizando métodos estatísticos específicos aplicados em programas computacionais, podemos estimar alguns fatores determinantes para o combate das epidemias. Dentre as possibilidades, podemos: 1. Estabelecer relações evolutivas entre organismos (ou grupos), com base na diversidade genética da população. 2. Mapear as mudanças (substituições) ocorridas no material genético e sua relevância para a sobrevivência dos patógenos. 3. Determinar o histórico de transmissão do patógeno em uma população. 4. Confirmar a escala de tempo da epidemia, datando sua origem e o aparecimento de variantes genéticas. 5. Reconstruir a rota de dispersão do patógeno – ou seja, seu espalhamento por diferentes países – através da relação entre a escala de tempo e das informações da localidade de cada amostra analisada. Através desses dados podemos analisar todo o processo de desenvolvimento da doença, mesmo antes de sabermos que ela existia. Essas informações são fundamentais para o desenvolvimento das pesquisas aplicadas, que auxiliam na determinaçãode medidas preventivas, como o isolamento social e a vacinação, ou de protocolos de tratamento. Por Lucia Barzilai, PhD Student (UFRJ/Brasil) @luciabarzilai #science #ciencia #cientista #scientist #pesquisa #research

A post shared by Pretty Much Science (ciência) (@pmuchscience) on

Compartilhe:

Share on whatsapp
Share on twitter
Share on facebook
Share on email
Share on linkedin
Share on telegram
Share on google

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Language »
Fonte
Contraste