Vacinas não geram novas variantes do coronavírus

Publicado originalmente em COVID-19 DivulgAÇÃO Científica por Catarina Chagas. Para acessar, clique aqui.

Novas cepas surgem a partir de mutações durante multiplicação do vírus causador da COVID-19

Nos últimos dias, circulou no Twitter uma postagem afirmando que a vacinação em massa contra a COVID-19 faria surgir novas variantes do vírus causador da doença, SARS-CoV-2. Segundo duas especialistas que entrevistamos, não existem evidências que suportem essa afirmação.

“O que faz surgir novas variantes é a replicação do vírus”, explica Mônica Levi, presidente da Comissão de Revisão de Calendários Vacinais da Sociedade Brasileira de Imunizações. “Na hora da replicação, podem acontecer erros e mutações que conferem características biológicas diferentes ao vírus. É isso o que chamamos de cepas variantes”. Segundo a especialista, não é biologicamente plausível acreditar que as vacinas contribuam nesse processo. 

A bióloga Luciana Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concorda: “O surgimento das variantes está condicionado à intensidade da multiplicação dos vírus. Quanto mais pessoas infectadas há, mais o vírus se multiplica nessas pessoas. Quanto mais multiplicação, maior a chance de acontecer uma mutação aleatória que pode ser transmitida, então, a outras pessoas, gerando novas variantes”.

Já explicamos, em um texto anterior, que mutações são fenômenos que ocorrem naturalmente nos vírus durante seu processo de replicação. A única forma de reduzir as chances de aparecerem novas variantes é evitar que o vírus continue se multiplicando na população – e as vacinas são aliadas, não inimigas, deste processo.

As entrevistadas lembram que, entre as vacinas disponíveis no Brasil contra a COVID-19, não há nenhuma que contenha o vírus vivo e capaz de se multiplicar. “No caso da Coronavac/Butantan, o vírus inteiro é inativado, portanto, não se replica. No caso das vacinas de RNA mensageiro (como a Pfizer), é utilizado apenas um pedaço da cadeia genética do vírus. A mesma coisa acontece com as vacinas de vetor viral (como a AstraZeneca/Fiocruz), onde se utiliza um outro vírus que carrega apenas um pedaço do material genético do SARS-CoV-2”, enumera Levi.

Enquanto houver número elevado de casos de COVID-19 – como ainda observamos no Brasil e em outros países –, ainda que uma parte da população esteja sendo vacinada, é possível que continuem surgindo novas variantes do coronavírus.  “Mas vemos que há lugares no mundo que já atingiram um bom patamar de cobertura vacinal, onde o número de casos de COVID-19 caiu. Nesses países, você já não ouve falar no surgimento de novas variantes”, pondera Costa. A cientista lembra que, para que isso aconteça, é crucial atingir uma cobertura vacinal adequada: é isso o que vai reduzir a circulação do vírus nas populações.

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