Vacinação contra a COVID-19 não afeta a fertilidade das mulheres

Publicado originalmente em Covid-19 DivulgAÇÃO Científica. Para acessar, clique aqui.

O aplicativo parceiro Eu fiscalizoidentificouum vídeo com mais de 3,8 mil curtidas no Instagram, em que um imunologista e professor da Universidade de Guelph (Canadá) afirma ter tido acesso a um “estudo de biodistribuição” solicitado a uma agência reguladora japonesa, segundo o qual “a proteína Spike atinge o sangue e circula durante vários dias após a pessoa ser vacinada”. Ele diz estar particularmente preocupado com a acumulação dessa proteína nos ovários e sugere que as “vacinas podem tornar mulheres estéreis”. O conteúdo é disseminado por um perfil que reúne médicos defensores do tratamento precoce contra a COVID-19, com várias publicações antivacina.

Diferentemente do que sugere o vídeo, a proteína Spike ‒ a coroa do coronavírus que faz a ligação com as células humanas  ‒ não está “inteira” na formulação das vacinas. É o que explica a ginecologista Cecília Maria Roteli-Martins, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). “A vacina não inclui a proteína Spike inteira, mas um RNA desenhado para imitar a proteína Spike. É um pedaço de vírus fabricado”, resume. Ela lembra que mesmo as vacinas formuladas a partir do próprio vírus inativado, como a Coronavac, são feitas com um fragmento viral inerte, ou seja, morto.

Segundo a especialista, as vacinas contra COVID-19, assim como outras de aplicação intramuscular, provocam reação no local da injeção para estimular o sistema imunológico. “Há uma reação imediata daquilo que chamamos de imunidade inata. Para aquele local vão ‘correr’ todos os linfócitos, todas as células que produzem anticorpos”, detalha. Além disso, as vacinas intramusculares contêm um adjuvante, uma partícula que provoca ainda mais irritação, com o objetivo de atrair os anticorpos para a região da aplicação. “Essas células com a mensagem de produção de anticorpos vão cair no sangue, estimulando toda a cadeia do sistema imunológico”, explica. 

Roteli-Martins participa da vigilância de efeitos adversos das vacinas que são notificados ao Ministério da Saúde. “Até o momento, não existe evento adverso relatado de infertilidade por alteração ovariana”, informa. “Se houver contraindicação de alguma vacina, algum evento adverso que comece a se repetir, certamente a vacinação será interrompida”, garante.

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