“Tsunami” ESG pode ofuscar agenda mais ampla de desenvolvimento sustentável

Publicado originalmente em Agência Bori. Para acessar, clique aqui.

Highlights

  • Popularidade do termo ESG no Google ultrapassou o interesse no termo ODS no último ano
  • Uso indiscriminado desse acrônimo pode ofuscar importância da sustentabilidade 
  • Práticas ESG das empresas devem ser avaliadas considerando também os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030 

Falar de ESG tomou os discursos corporativos como um “tsunami” nos últimos dois anos, e se tornou o mais recente modismo do mundo dos negócios. O uso indiscriminado da sigla, um acrônimo em inglês que propõe a  avaliação dos negócios também a partir de seus atributos ambientais, sociais e de governança corporativa, pode trazer riscos no sentido de reduzir o escopo dos cuidados com a sustentabilidade. O alerta é de pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP) em artigo publicado nesta quinta (2) na revista “GV Executivo”.

Aron Belinky destaca que a popularidade do termo ESG nas buscas do Google teve um salto significativo desde 2020, no contexto de negócios e finanças, ultrapassando em muito o interesse no termo ODS, sigla para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Criados em 2015 a partir de um compromisso entre os 193 países integrantes da ONU, os ODS são parte da Agenda 2030 e reconhecem a necessidade de mudanças no sistema de produção global, na sua governança e na distribuição de recursos para o bem-estar da humanidade. A intenção da ONU, com apoio também dos representantes do setor privado e da sociedade civil presentes nas negociações para os ODS, era que esses objetivos fossem realizados não só pelo poder público, mas também por atores privados (empresas ou não), com um escopo muito mais amplo do que o proposto pela recente popularização do termo ESG, que tem uma associação mais voltada à ideia de “se dar bem fazendo o bem”.

“A perspectiva ESG existe desde 2005, e sua recente expansão no mundo dos negócios é, sem dúvida, um fato positivo, na medida em que direciona por critérios afins com a agenda da sustentabilidade maiores volumes de recursos, financeiros e não-financeiros. No entanto, esse processo traz riscos tanto pela acomodação gerada pelo falso senso de que a perspectiva ESG, sozinha, é uma solução para os desafios da sustentabilidade, quanto pelo entendimento, também falso, de que essa perspectiva seja ‘uma evolução’ do conceito de sustentabilidade empresarial, que estaria agora sendo ultrapassada e substituída”, destaca Belinky.

Ao longo do artigo, o pesquisador reforça que a perspectiva ESG tem realmente grande afinidade com a sustentabilidade ambicionada por boa parte da sociedade mundial. O problema está no uso superficial da perspectiva ESG como critério de gestão, ignorando que, sem uma visão mais ampla,  ela tem um alcance limitado para a sustentabilidade, em  comparação com os desafios representados pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e pela Agenda 2030.

“Para que o potencial pleno da perspectiva sustentável seja aproveitado, gestores e investidores precisam perceber a necessidade de ir além de um  entendimento básico de ESG”, enfatiza Belinky. A saída, segundo o pesquisador, envolve  adotar critérios para  balizar a avaliação das práticas ESG esperadas das empresas não só pela lógica dos negócios, mas, também, tendo em vista a Agenda 2030 e dos ODS. Evitar substituir o termo sustentabilidade pelo hype do momento seria um primeiro passo, já que nem toda a agenda de desenvolvimento sustentável será automaticamente coberta pelo slogan “bom para os negócios e bom para o planeta e todos que vivem nele”.

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