Reinfecções por COVID-19 são comuns e podem estar subestimadas

Publicado originalmente em Covid-19 DivulgAÇÃO Científica por Alessandra Ribeiro. Para acessar, clique aqui.

Um tweet publicado pela médica Nise Yamaguchi em fevereiro de 2021 ‒ antes de sua polêmica participação na CPI da COVID, em junho ‒ voltou a circular recentemente na internet. Na mensagem, ela afirma que quem já teve COVID-19 “pode não precisar de vacinas” e que “reinfecções ainda são raras”.

Ao contrário do que sugere a médica, um estudo do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde), com 238 doadores de sangue em Manaus, no Amazonas, revela que até um terço dos casos de COVID-19 provocados pela variante P.1 do coronavírus (Gama, segundo a atual nomenclatura da Organização Mundial da Saúde) podem ser reinfecções em pacientes que já tiveram a doença. O trabalho foi publicado em maio deste ano na plataforma MedRxiv como preprint, ou seja, ainda precisa ser submetido à revisão de outros cientistas.

De acordo com a definição do Ministério da Saúde, consideram-se casos suspeitos de reinfecção quando os pacientes apresentam “dois resultados positivos de RT-PCR em tempo real para o vírus SARS-CoV-2, com intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção respiratória”. No entanto, “caso não haja a disponibilidade das duas amostras biológicas, com a conservação adequada, a investigação laboratorial não poderá ser complementada, inviabilizando a análise do caso”. Além disso, embora admita a possibilidade de nova infecção pela mesma linhagem do vírus, o órgão só reconhece como casos de reinfecção confirmados aqueles que “se tratam de infecções em episódios diversos, por cepas virais diferentes”.

Por esta razão, o número de casos de reinfecção no Brasil pode estar subestimado, na avaliação do infectologista Julival Ribeiro, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Infelizmente, para dar diagnóstico de reinfecção, nós temos que ter a amostra da primeira e da segunda infecções e fazer um estudo genético para saber se essas cepas são diferentes ou não. Nem todos os laboratórios fazem isso, a não ser os de pesquisa”, lamenta.

Reinfecção e vacinação

Nós já mostramos, aqui, que a recomendação para tomar as duas doses da vacina contra a COVID-19 (ou a dose única, se for o caso), vale inclusive para quem foi infectado pela doença anteriormente.

Um estudo publicado em maio pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), com a participação de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa e da empresa chinesa MGI Tech Co indica que a reinfecção por COVID-19 pode vir acompanhada de sintomas mais fortes.

O infectologista Julival Ribeiro cita outro estudo publicado pelo CDC, em junho, que mostra redução no risco de reinfecção após a vacinação contra a COVID-19. “Observa-se que as pessoas que tiveram uma infecção, sobretudo aqueles casos leves, têm maior risco de ter reinfecção em comparação àquelas que tiveram a primeira infecção e depois foram vacinadas”, detalha.

Ribeiro ressalta que a pesquisa foi realizada antes da emergência da variante Delta, que pode aumentar os casos de reinfecção, por ser altamente transmissível, com indícios de que também possa provocar casos mais graves. “Segundo estudos publicados em todo o mundo, a efetividade das vacinas continua muito boa quanto à variante Delta, mas essa efetividade caiu, além do que, discute-se também o escape da variante Delta em quem já teve sua própria infecção natural”, alerta.

O especialista lembra que a variante Delta já se tornou predominante em vários países no mundo, tendência também observada no Brasil. “A grande arma que nós temos no mundo, no momento, é a vacina, associada às medidas preventivas, com o uso de máscaras, higienização das mãos e evitando aglomerações, sobretudo em locais fechados”, orienta.

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