#FALSO/Mensagem sobre a variante delta da covid-19 atribuída à Unimed não é verdadeira

Publicado originalmente em Xereta. Para acessar, clique aqui.

Mensagem enganosa utiliza nomenclatura errada da empresa, tem texto apelativo e informações sobre a variante sem comprovação científica

Circula em grupos de WhatsApp um texto com o título “Grupo Unimed Alerta”, que apresenta o que seriam os sintomas e perigos da variante delta da covid-19. Seguidores do Avoador enviaram a mensagem ao Xereta e pediram que o material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da editoria.

Mensagem enviada à editoria Xereta.

A informação é FALSA. O primeiro passo na realização da checagem foi a verificação do texto da mensagem. Foram identificados erros, como a falta de letras maiúsculas no início do texto, sintomas incorretos e palavras escritas em caixa alta que chamam a atenção do leitor.

Logo em seguida, a equipe do Xereta identificou que a assinatura da mensagem era de apenas Unimed, mas, na verificação no site da instituição, foi possível constatar que a assinatura institucional utilizada é Sistema Unimed. O passo seguinte foi entrar em contato com a cooperativa de atendimento à saúde em Vitória da Conquista para obter um posicionamento. Segundo  a subsidiária local, a Unimed Sudoeste, “as cooperativas e empresas do Sistema Unimed não são responsáveis pelo conteúdo e repudiam o uso indevido da marca para propagar informações não verificadas que podem impactar a saúde das pessoas.”

Nota da Unimed Sudoeste enviada à editoria Xereta.

Para finalizar, a equipe do Xereta analisou cada afirmação do texto sobre a variante delta da covid-19. Para isso, realizou uma entrevista com a médica, Eidy Miranda Silva, que é de Poções e tem atendido casos do novo coronavírus na Argentina.  Segundo ela, a variante delta foi descoberta na Índia, mas já se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil. “A cepa delta existe, na verdade, desde o final do ano passado, só que nos últimos meses ela se tornou dominante em muitos países.” 

Mensagem checada com as afirmações sobre a variante delta em destaque. Também enfatiza-se a assinatura com o nome institucional errado no final da publicação.

Entre as afirmações do conteúdo checado há a parte que trata dos sintomas com a seguinte indicação “não há tosse, nem febre, porém as articulações ficam muito doloridas, há dor de cabeça, dor no pescoço e na parte superior das costas, sintoma de fraqueza geral, perda de apetite e pneumonia”. De acordo com Silva, os sintomas mais comuns, na maioria das vezes, são quadros benignos de resfriado comum, mas que há casos registrados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG).  “Isso vai depender do estado de saúde de cada um e como vai reagir cada organismo. Os sintomas principais são: obstrução nasal, coriza, tosse, dor de garganta, dor de cabeça.” Ela também informou que não há  perda do olfato e do paladar, sintomas que ficaram conhecidos em 2020, no auge da pandemia, como relacionados à covid-19. Nesse caso, a checagem demonstra que afirmações do texto estão em somente em parte corretas, o que contribui para gerar desinformação sobre a nova variante.   

Outra afirmação que despertou dúvida foi a de que a cepa “apresenta maior taxa de mortalidade, com evidência de mais rápida de chegar a extremos, às vezes até sem sintoma”. A médica disse que já  existem estudos que apontam que a estimativa de transmissão varia entre 40 a 200% essa informação. “O maior número de mortalidade está relacionado ao maior número de transmissão. Isso significa que é mais transmissível que as outras variantes, chegando a ser comparada com a catapora”. Os extremos citados no texto, que seriam sintomas que podem levar a casos mais graves, diz respeito ao fato de que enquanto as pessoas não descobrem a doença elas continuam contaminando os demais e podem descobrir a doença tarde demais. “O fato do quadro ser mais leve pode fazer com que as pessoas demorem a procurar um atendimento médico, e isso faz com que a doença possa progredir para um caso mais grave”, explicou Silva. 

A mensagem enviada via Whatsapp também coloca em xeque, sem apresentar uma fonte, a capacidade dos testes para identificar a doença com o enunciado: “os testes de esfregaço nasal muitas são negativos para a covid-19”. No caso, a afirmação diz respeito RT- PCR (do inglês Reverse-Transcriptase Polymerase Chain Reactions), que detecta a a presença do vírus pela mucosa nasofaríngea. A médica disse desconhecer pesquisas que apontem a invalidade do teste citado para revelar essa nova cepa do coronavírus. “É perigosa a disseminação dessa informação, pois não existe até então uma outra forma clínica para diferenciar uma gripe de um quadro da covid-19”, alertou.  Além da profissional da saúde, realizou-se uma pesquisa em artigos de saúde para a verificação da possibilidade levantada, mas nada foi encontrado.  Conclui-se, assim, que a afirmação em relação ao teste é falsa

Para finalizar, a médica chama a atenção para a eficácia das vacinas e do quando elas têm reduzido as internações no Brasil e no mundo, “a boa notícia é que existem medidas que são capazes de abrandar a força da variante Delta, como a vacinação. Quando me perguntam qual é a melhor vacina, respondo que a melhor vacina é aquela que está disponível”. Também alerta para a importância da manutenção dos cuidados diários com o uso de máscaras e o distanciamento.

Portanto, a mensagem checada recebe o selo de FALSO, já que a fonte da informação não é o Sistema Unimed e o conteúdo em grande parte é enganoso e não tem comprovação científica até o momento. 

Checagem: Lalume Carneiro, Leonel Brito e Naiele Lopes

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