Crianças podem e devem usar máscaras

Publicado originalmente em COVID-19 DivulgAÇÃO Científica por Catarina Chagas. Para acessar, clique aqui.

Equipamento é seguro e uma das principais estratégias de prevenção contra a COVID-19 a partir dos dois anos de idade.

Assim como para a população adulta, também para as crianças o uso de máscaras, a higiene das mãos e o distanciamento social são as principais estratégias de prevenção da COVID-19, e devem ser mantidos mesmo após o início da vacinação contra a doença no Brasil. As máscaras, porém, foram alvo de controvérsia após o presidente Jair Bolsonaro afirmar, em uma fala transmitida pela internet no dia 25 de fevereiro (especificamente, no trecho partir de 12:40 minutos), a existência de um estudo alemão que apontaria possíveis prejuízos às crianças.

No dia 28 de fevereiro, dezenas de sociedades médicas do Brasil, incluindo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), divulgaram um manifesto em defesa do uso de máscaras “não apenas por profissionais da saúde no cuidado de indivíduos ou diagnoóstico de COVID-19, mas por todos”, como uma das medidas de contenção da pandemia. O texto não menciona crianças.

Em maio de 2020, a SBP já havia publicado uma nota sobre o uso de máscaras em crianças e adolescentes durante a pandemia. O documento recomenda o uso de máscaras a partir dos dois anos. Organizações internacionais ligadas à saúde e à pediatria também já se manifestaram a favor do uso de máscaras pelas crianças – alguns exemplos são a Organização Mundial da Saúde, o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e a Sociedade Pediátrica Italiana, que, inclusive, alertou para a existência de fake news sobre o tema.

“Não há nenhuma dúvida de que crianças podem e devem ser incentivadas a usar máscaras”, reforça o infectologista pediátrico Marcio Nehab, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e consultor da SBI. “Como as crianças ainda não têm previsão de tomar vacina contra COVID-19, as únicas formas que elas têm de se proteger são usar máscara, lavar as mãos e manter distanciamento social”.

Orientações às crianças

Para Nehab, é impossível forçar crianças pequenas a usarem máscaras. Por isso, a saída é orientá-las sobre o tema, dentro de casa: “Os pais podem, por exemplo, treinar o uso de máscara em casa, antes de mandar as crianças de volta à escola”, sugere, ressaltando a importância de explicar às crianças o que é a COVID-19 e como as máscaras podem ajudar a evitar novos casos da doença. Também recomenda conversar com as crianças sobre como, mesmo não estando no grupo de risco para as formas graves da COVID-19, elas podem participar de sua transmissão.  “É uma questão de prática, incentivo e educação”, resume.

Entre os cuidados a tomar com as máscaras usadas pelas crianças, um dos principais é garantir que estejam bem ajustadas ao rosto, cobrindo nariz, boca e queixo. Além disso, as máscaras precisam ser trocadas sempre que ficarem úmidas – em geral, isso acontece com maior frequência nas crianças do que entre os adultos. Assim, é fundamental que as crianças, em especial as mais novas, tenham sempre consigo máscaras extras.

Vale, também, explicar às crianças que a máscara precisa ser usada o tempo inteiro – não se deve tirá-la para falar, nem para espirrar ou tossir. Nos momentos em que a criança está se alimentando, ao tirar a máscara, é preciso redobrar os cuidados com a higiene das mãos e o distanciamento social.

Se, com o uso prolongado de máscaras, a criança sentir incômodo atrás da orelha, uma solução é procurar máscaras que são amarradas na parte de trás da cabeça. O uso de escudo facial não substitui o uso de máscara.

Por causa do risco de sufocamento, não é indicado o uso de máscaras por crianças abaixo dos dois anos, que têm menos autonomia para colocá-las e retirá-las. Em crianças com problemas de desenvolvimento neurológico, doenças respiratórias graves e outras condições crônicas, é importante avaliar caso a caso a viabilidade do uso de máscara, tendo em conta que crianças que não usam máscaras têm um risco maior de contrair COVID-19.

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