Conheça 6 ‘fake news’ sobre as vacinas contra a Covid-19

Publicado originalmente Informe ENSP – Fiocruz por Danielle Monteiro. Para acessar, clique aqui.

As vacinas contra a Covid-19 podem causar fibromialgia e Alzheimer? Os imunizantes contra a doença são mais perigosos do que o próprio vírus? As vacinas que usam RNA mensageiro podem provocar morte em idosos? Com o início da vacinação em massa contra a Covid-19, surgem diversas dúvidas a respeito dos imunizantes e, como consequência, aumentam as notícias falsas sobre o tema. Confira, abaixo, as últimas fake news notificadas pelo aplicativo Eu Fiscalizo, idealizado pela pesquisadora Claudia Galhardi com base em seu projeto de pós-doutorado na ENSP:

Vacinas podem causar fibromialgia e Alzheimer – É FAKE NEWS

Em uma transmissão ao vivo pelo Facebook, um enfermeiro afirmou que a morte de médico voluntário nos ensaios clínicos da vacina da Astrazeneca/Oxford teria sido provocada pelo imunizante. No vídeo, ele diz que vacinas podem causar fibromialgia e Alzheimer.
A informação é falsa. Segundo a pneumologista da ENSP Patricia Canto, não há qualquer estudo que atribua fibromialgia ou Alzheimeir associados a qualquer uma das vacinas contra a Covid-19. “Alzheimer é uma doença de longa evolução, nem seria possível termos tempo para verificar tal associação”, afirma.

Vacinas contra a Covid-19 são mais perigosas que o próprio vírus – É FAKE NEWS

Em vídeo transmitido pelo Facebook, uma médica tira dúvidas sobre as vacinas contra a Covid-19, alegando que elas são mais perigosas do que o vírus em si. A médica afirma que as vacinas não têm segurança, pois foram testadas apenas em populações sadias e elaboradas com atropelamento de fases, sem aprovação da Anvisa. Ela alega também que o Brasil não tem expertise no uso da tecnologia RNA mensageiro, o que faz com que as vacinas elaboradas com base nessa tecnologia possam vir a provocar doenças genéticas em pessoas saudáveis. Por conta disso, os imunizantes, segundo ela, colocariam a população em risco. A médica afirma, ainda, que crianças, idosos e quem teve a doença não foram testados.
Segundo a pneumologista da ENSP, todas as vacinas disponibilizadas e autorizadas por grandes agências de regulação, como a Anvisa, no Brasil, passaram pelas fases regulares de pesquisa 1, 2 e 3, antes de sua liberação. Portanto, não houve supressão de fases, conforme defende a médica no vídeo.
Patricia afirma que as vacinas são seguras e não são capazes de provocar doenças genéticas em pessoas saudáveis. As duas vacinas já em uso no Brasil são a CoronaVac, parceria entre o Butantan e a fabricante chinesa de medicamentos Sinovac Biotech, elaborada com a tecnologia conhecida de vírus inativado, e a da AstraZeneca/Oxford, produzida atualmente pela Fiocruz, no Brasil, a qual utiliza um vetor viral não replicante, que carrega uma parte do material genético do SARS-CoV 2, responsável pela produção da proteína S. “Ambas são seguras e incapazes de transmitir a doença”, garante Patricia.
A pneumologista explica que as vacinas de RNA mensageiro simulam o mesmo processo que ocorre quando a pessoa é exposta aos vírus; porém, sem causar a doença. “Essas vacinas não são capazes de modificar o DNA ou RNA das pessoas”, afirma. 
Segundo Patricia, qualquer vacina, seja contra a Covid-19 ou outros patógenos, pode causar reações em algumas pessoas, no entanto, eventos graves são raros. 
Ao contrário do que alega a médica no vídeo, idosos foram incluídos nos estudos. “Mas, o principal é vermos que, ao imunizarmos os idosos no Brasil e no mundo, não houve relatos de efeitos graves e houve redução na mortalidade nesse grupo”, afirma Patricia. 
As vacinas ainda não foram testadas em crianças e, por esse motivo, não foram liberadas para esse grupo etário, conforme explica a pneumologista: “O desenho dos estudos não incluiu menores de 18 anos. A medida em que elas forem testadas nesse grupo etário, confirmando-se sua eficácia para essa faixa etária, serão liberadas.”  Segundo a pneumologista, indivíduos que tiveram a doença também participaram dos estudos, pelo menos, mais recentemente. “No início, pessoas com comorbidades não participaram dos estudos, pois, inicialmente, as vacinas são testadas em pessoas saudáveis, e, depois, se expandem os grupos”, explica.

Vacina tem como objetivo matar seres humanos – É FAKE NEWS

Circulou, recentemente, nas mídias sociais, um áudio no qual um suposto médico afirma que as vacinas contra a Covid-10 são pauta da esquerda, com o objetivo de matar seres humanos. Ele diz também que o coronavírus não é capaz de matar e a vacina altera o código genético, provocando síndromes “que podem matar nossos filhos e netos”. O autor do vídeo ainda afirma que leva em torno de 15 anos para uma vacina ser produzida e não há comprovação de eficácia do imunizante. 
As informações declaradas pelo suposto médico são falsas. Somente no Brasil, até o dia 20 de abril, foram registradas 374.682 mil mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, de acordo com números divulgados pelo Ministério da Saúde. 
O fato de as vacinas contra a Covid-19 terem sido elaboradas em tempo mais curto não repercute em sua eficácia, segundo a pneumologista da ENSP. Além do mais, os imunizantes contra a doença têm eficácia comprovada, garante Patricia.
A pneumologista explica que não se pode comparar o tempo de produção de vacinas “antigas” com as novas produzidas, pois a tecnologia disponível atualmente supera em muito a de qualquer outro momento da ciência. “Além disso, algumas vacinas contra a Covid-19 usam tecnologia antiga, só mudando o vírus, como é o caso da CoronaVac (vírus inativado). E as ‘modernas’, como as de RNA mensageiro, já estavam em estudos. Elas apenas foram adaptadas para o novo coronavírus, mas, a tecnologia em si, já estava sendo testada”, esclarece.

Profissionais de saúde morrem por ataque cardíaco em decorrência da vacina – É FAKE NEWS

Um site de cunho religioso divulgou a informação de que, na Itália, três profissionais de saúde morreram após tomar a vacina contra o novo coronavírus. A matéria informa que um auxiliar técnico da área médica, uma enfermeira e uma farmacêutica vieram a óbito alguns dias após a imunização. Além desses três, o texto cita um quarto evento de morte por ataque cardíaco nas mesmas circunstâncias. Ainda segundo a matéria, estudos demonstraram que as vacinas contra o coronavírus são conhecidas por causar ataques cardíacos em animais, razão pela qual, até agora, nenhuma delas teria sido aprovada por nenhum governo como segura para uso em humanos.
Segundo o Nujoc Checagem, parceiro do Eu fiscalizo, ao contrário do que diz a mensagem, não há estudos demonstrando que as vacinas contra o coronavírus causem ataque cardíaco em animais. Como já é sabido, as vacinas têm sido aprovadas, sim, por governos do mundo inteiro, que já começaram a imunizar suas populações. 

Butantan não confirma eficácia da CoronaVac em idosos – É FAKE NEWS 

Circulou, nas mídias sociais, a informação de que o Butantan não confirmou a eficácia da CoronaVac em idosos. Conforme divulgado no site do próprio instituto, foi comprovada, sim, a eficácia da CoronaVac no grupo etário. “Apesar dos boatos que têm circulado nas redes sociais de que o Butantan não confirma a eficácia do imunizante em pacientes idosos, a eficiência e a segurança da vacina já foram comprovadas não só em indivíduos dessa faixa etária, mas também em pessoas com mais de 18 anos”, afirma o instituto. 

Vacinas de RNA mensageiro vão provocar morte em massa entre idosos – É FAKE NEWS

Publicada em site de cunho religioso, matéria afirma que as vacinas contra o novo coronavírus, por usar RNA mensageiro na sua composição, podem ocasionar reações alérgicas adversas, como anafilaxia e reações autoimunes. O texto defende que, por conta de tais reações, a segunda dose das vacinas não deve ser administrada.
Patricia esclarece que eventos como reação anafilática potencialmente fatal, provocados por vacinas, são raros e podem ocorrer com qualquer imunizante. “A segunda dose precisa ser aplicada para garantir a imunização do indivíduo, exceto naqueles que apresentaram reações graves, que devem ser sempre informadas ao serviço de Saúde e acompanhadas para definição se estão relacionadas à vacina”, explica. Segundo a pneumologista, em geral, após 15 dias da primeira dose, já começa a produção de anticorpos. 

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