Cartas fomentam debate em diferentes níveis de ensino

Publicado originalmente em Jornal Beira do Rio UFPA. Para acessar, clique aqui.

Por Walter Pinto Foto Alexandre de Moraes

Um conjunto de cartas para discutir ciência. Esse foi o produto educacional criado por Suelen Miyuki Alves Guedes em sua dissertação de mestrado profissional, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação Criatividade e Inovação em Metodologias de Ensino Superior (PPGCIMES), do Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão (Nitae²), da UFPA. A dissertação Ciência com cartas: refletindo sobre a importância do diálogo entre ciência e sociedade com discentes de graduação foi orientada pela professora Marianne Kogut Eliasquevici. O conjunto de cartas, fruto da dissertação, é denominado Ciência em Questão: diálogos com cartas.

Ciência em Questão é um produto educacional que emprega cartas para fomentar o debate sobre ciência. Orientanda e orientadora explicam que, por ser um mestrado profissional voltado para metodologias de ensino superior, o produto foi concebido para ser utilizado com alunos de graduação, de qualquer área do conhecimento, em disciplinas como Metodologia da Pesquisa, Metodologia do Trabalho Científico, entre outras. Mas, pela sua flexibilidade, pode ser facilmente utilizado na pós- -graduação, assim como pode ser adaptado para a educação básica. Elas relataram que uma professora integrante da banca examinadora da dissertação utilizou as cartas no mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da Universidade Estadual de Roraima (UERR), na disciplina Divulgação Científica no Ensino de Ciências.

Elas explicam que “o ideal é usar as cartas nos momentos iniciais das disciplinas, não só para contextualizar como também para promover a ampliação do olhar sobre a ciência e sobre o processo de construção do conhecimento”. Desta forma, “elas funcionam como motivadoras capazes de suscitar, em sala de aula, presencial ou remotamente, discussões relevantes sobre o campo científico, a neutralidade da ciência e as formas de comunicação da ciência”.

Ciência em Questão é um conjunto de 45 cartas divididas em três eixos temáticos, com proposições que dialogam com a percepção e a reflexão de estudantes sobre ciência e como entendem a relação dela com a sociedade. Cada eixo tem objetivos específicos, além de promover discussões e estimular reflexões. Busca-se, por exemplo, problematizar percepções limitadas e estereotipadas sobre a ciência, desmistificar pré- -conceitos que a envolvem e pensar como ela pode colaborar com a sociedade ou como a sociedade pode contribuir com a ciência.

As cartas possuem finalidades bem definidas, entre as quais, fomentar a formação de cidadãos e cidadãs conscientes e engajados(das) com as necessidades d a r e g i ã o ; e x p e r i m e n t a r metodologias inovadoras de ensino e aprendizagem na discussão sobre ciência e refletir acerca de posturas e práticas de construção de conhecimento colaborativo.

Produto traz três sugestões de atividades

Como forma de auxiliar professores e professoras no uso das cartas, Suelen Miyuki propõe três possibilidades de atividades:

  1. Cartas debates: O(A) professor(a) sorteia uma carta para cada aluno(a) durante a aula para fomentar o debate sobre as temáticas promovidas pelo conteúdo da carta. O(A) professor(a) se posiciona como mediador(a) do diálogo conduzindo e instigando todos a participarem das discussões fomentadas pela carta e a opinarem sobre elas.
  2. Cartas escritas: O(A) professor(a) sorteia três cartas para cada aluno(a) – as cartas podem se repetir para mais de um(a) aluno(a) – durante a aula presencial ou síncrona. Em caso de educação a distância, o(a) discente escolhe três números, de 1 a 45, e o(a) professor(a) envia os QR Codes e/ou os links de acesso às cartas. Como atividade de casa, cada aluno(a) precisará produzir um texto sobre as suas três cartas, o qual deverá ser entregue para correção do(a) professor(a) e discutido entre a turma na aula subsequente.
  3. Cartas multimídia: O(A) professor(a) sorteia uma carta para cada aluno(a) ou grupo durante a aula presencial ou síncrona. Em caso de educação a distância, o(a) discente ou o grupo escolhe um número, de 1 a 45, e o(a) professor(a) envia o QR Code e/ ou o link de acesso às cartas. O(A ) aluno(a)/ O grupo precisará desenvolver algum material, em formato livre (escrito, áudio, audiovisual ou outro), para realizar o desafio/a atividade proposto/a na carta. Na aula subsequente, cada aluno(a)/grupo terá dez minutos para apresentar a sua produção. Durante o processo, o(a) professor(a) terá o papel de orientador(a) e mediador(a) em todas as etapas das atividades.

Os(As) usuários(as) são livres para utilizar ou não as sugestões acima. Eles(as) também podem criar outras atividades que considerem pertinentes para suas disciplinas e para o seu contexto de ensino e aprendizagem.

Experiências comprovam êxito em sala de aula

O conteúdo das cartas foi validado por um painel de especialistas, formado por professores de diferentes áreas do conhecimento, com ampla experiência em disciplinas de metodologia ou relacionadas à ciência. No entanto, durante a construção do trabalho, Suelen Miyuki Alves Guedes e Marianne Kogut Eliasquevici não conseguiram utilizar as cartas em sala de aula com estudantes de graduação, principal público do trabalho.

Posteriormente, as cartas foram usadas em duas turmas de calouros do curso de Licenciatura Integrada em Ciências, Matemática e Linguagens, do Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI) da UFPA e também por uma professora que fez parte da Banca. O resultado das experiências foi bastante positivo e os discentes elaboraram suas próprias cartas incluindo um quarto eixo que trata de Ciência, Tecnologia e Sociedade.

Conforme Suelen Miyuki informou, outras experiências com as cartas mostraram-se igualmente positivas. Entre elas, a realizada com pré-vestibulandos de uma escola particular de Belém, ocasião em que pôde dialogar com estudantes sobre o eixo temático Ciência e Tecnologia. As cartas sobre percepção pública da ciência serviram para instigar o debate sobre a visão dos alunos acerca do assunto e para orientá-los a abordar a questão caso fosse tema da redação do Enem em 2021.

Suelen Miyuki e Marianne Eliasquevici destacam o caráter flexível e aberto do conjunto de cartas. “O(A) professor(a) pode utilizar as sugestões que propomos ou criar sua própria estratégia, de acordo com o objetivo da disciplina. Além disso, queremos que esse produto educacional esteja nas salas de aula de todos os níveis de formação, seja com os conteúdos que as 45 cartas trazem, seja com outros, criados pelos professores, a partir de modelos em branco disponibilizados no site do produto educacional”.

Saiba mais – Os interessados em conhecer mais sobre as cartas podem acessar o site desenvolvido para divulgação e compartilhamento do produto educacional no endereço https://projetocienciaemqu.wixsite.com/cienciaemquestao

Beira do Rio edição 164

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