Flávio Bolsonaro: “Bom, nós pegamos o Brasil lá em 2019 com cerca de 14 mil obras inacabadas. E, apesar de todos os problemas, a gente entregou o Brasil com um pouco mais de 8 mil obras inacabadas.”
A declaração usa números que aparecem em levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), mas estabelece entre eles uma comparação que os próprios dados oficiais não permitem fazer.
O primeiro diagnóstico do TCU identificou 14.403 obras paralisadas ou inacabadas em um universo de 38.412 contratos. Embora o resultado tenha sido divulgado em 2019, as informações utilizadas no levantamento foram coletadas entre abril e maio de 2018, antes, portanto, do início do governo Bolsonaro.
Nos levantamentos posteriores, o número de obras paralisadas aparece próximo dos 8,6 mil. Em 2022, por exemplo, o TCU contabilizou 8.678 obras paralisadas ou inacabadas entre 22.569 empreendimentos analisados.
Os dados também mostram que o estoque de obras paralisadas voltou a crescer naquele e houve redução no número total de obras monitoradas.
Embora os números de aproximadamente 14 mil e 8,6 mil apareçam em levantamentos oficiais, não é possível utilizá-los para concluir que o governo recebeu cerca de 14 mil obras inacabadas e entregou o país com pouco mais de 8 mil, como se a diferença representasse obras concluídas ou retomadas durante a gestão. A comparação mistura levantamentos com universos distintos e omite limitações expressamente apontadas pelo TCU.
Fontes: Senado e Tribunal de Contas da União
Divulgação: Andressa Garcez