25 de Julho: Pelo fim da violência, da fome e em defesa da vida da mulher negra latinoamericana

Publicado originalmente em Brasil de Fato. Para acessar, clique aqui.

No dia 25 de julho celebramos o Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha. Essa data marca a importante jornada de lutas das mulheres negras pela conquista de seus direitos em uma sociedade que insiste em negar seu espaço e desrespeitar sua existência. 

O dia começou a ser comemorado a partir de 1992, na ocasião do Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, que ocorreu na República Dominicana. A data é celebrada no Brasil, desde 2014, também como o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra por ela ser um símbolo de liderança feminina e de resistência quilombola no país. 

Infelizmente, mesmo com todos os esforços realizados ao longo dos anos, a mulher negra ainda é a principal vítima das consequências da desigualdade racial promovida no Brasil. 

Como Elaine França, que é integrante do MTD PE de Peixinhos, representa no curta Ìyá Dúdú, devoção e rExistência, de Renata Mesquita, as vivências de uma mulher negra, periférica, mãe solo, são permeadas por questões difíceis como a sua solidão, a objetificação de seu corpo, as dificuldades de arranjar um emprego e a manutenção de sua casa. Além desses elementos, a mulher negra ainda se depara com outros problemas.

De acordo com o Atlas da Violência de 2020, em 2018, a taxa de homicídios de mulheres negras era 5,2 para cada 100 mil habitantes, enquanto para mulheres não negras era 2,8 por 100 mil. Além disso, de 2017 a 2018, a taxa de homicídios de mulheres caiu somente para mulheres não negras: vê-se um decréscimo de 11,7% para esse grupo demográfico, enquanto a taxa das mulheres negras aumentou em 12,4%. 

As mulheres negras encontram barreiras também na esfera da representação política. Uma pesquisa realizada pelo Mulheres Negras Decidem, baseada na PNAD Contínua de 2019, mostrou que apesar da mulher negra representar 28% da população brasileira, ela ocupa menos de 2% das vagas do Congresso Nacional.

Reproduzindo a realidade brasileira que já se destaca pelas disparidades raciais, na pandemia a situação se agravou. Por esse motivo é importante fortalecer as ações que têm como objetivo trazer mais visibilidade para a pauta das mulheres negras e defender que os espaços de representação sejam preenchidos por elas. Mulheres como Marielle Franco, Lélia Gonzales, Djamila Ribeiro, Benedita da Silva, dentre tantas outras que lutaram e seguem lutando, são inspirações para nossa jornada e marcam os avanços no debate sobre os direitos da mulher negra na sociedade brasileira. É necessário denunciar as frequentes práticas de exploração e discriminação e se opor às contínuas tentativas de silenciamento dessa agenda.

A mulher negra é a base da nossa sociedade e por isso as mulheres do MTD estarão nas ruas no dia 25 de julho pelo fim da violência, da fome e em defesa da vida da mulher negra latino-americana.

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