Por que é importante vacinar toda a população contra a COVID-19

Publicado originalmente em COVID-19 DivulgAÇÃO Científica por Catarina Chagas. Para acessar, clique aqui.

Estabelecimento de prioridades é estratégia para lidar com o suprimento limitado de doses; no futuro, o ideal é ter pelo menos 60% a 70% da população vacinada.

Enquanto os estados brasileiros iniciam a vacinação contra a COVID-19 de idosos, profissionais de saúde e outros grupos prioritários, as redes sociais continuam servindo de palco para debates e desinformação promovida por grupos antivacinação. Recentemente, voltou a circular no Twitter uma fala atribuída a um especialista britânico para quem seria desnecessário vacinar toda a população, bastando imunizar os grupos de risco para as formas graves da doença. Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a médica Isabella Ballalai discorda: “A ideia de que pessoas saudáveis não precisam tomar vacina é um mito antigo, que não nasceu com a COVID-19. De maneira nenhuma é uma realidade. Pessoas saudáveis são aquelas que mais contraem as doenças infecciosas. Elas são a maioria dos casos de sarampo, influenza e tantas outras doenças infecciosas que podem ser prevenidas por vacina”.

Ballalai explica que, obviamente, ser saudável é muito importante. Hábitos como alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos fortalecem o organismo. Pessoas saudáveis, quando infectadas por vírus e outros agentes infecciosos, têm uma chance menor de adoecer gravemente. Mas não estão menos sujeitas a se infectar. E a especialista enfatiza: pessoas saudáveis também não estão livres de morrer de qualquer doença infecciosa, incluindo a COVID-19.

Na prática, a vacinação contra a nova doença começou por grupos específicos devido à falta de doses disponíveis para uma campanha mais ampla. Em quase todos os países, incluindo o Brasil, priorizou-se idosos e profissionais de saúde, dois dos grupos mais impactados pela COVID-19.

“O objetivo principal, neste momento, é diminuir o número de casos graves, hospitalizações e mortes por COVID-19”, ressalta Ballalai. “É muito difícil definir grupos [prioritários para vacinação], mas é preciso defini-los de uma forma científica, baseada em dados e não apenas na percepção de risco”, completa a médica, explicando que as estratégias de imunização estão baseadas em dados de mortalidade e hospitalização por COVID-19 e lembrando que, além de estarem entre os mais afetados pela doença, os profissionais de saúde são também essenciais para o enfrentamento da pandemia.

Outros grupos, como os indígenas, são considerados prioritários não tanto pelo risco de desenvolver formas graves da doença, mas pela dificuldade que têm no acesso aos serviços de saúde, o que acaba gerando um aumento de mortalidade. Segundo Ballalai, pessoas com comorbidades, ou seja, com doenças crônicas, que também estão entre as que mais morrem de COVID-19 no Brasil e no mundo, devem ser o próximo grupo a receber imunização, seguidas dos profissionais que mais circulam na sociedade e, portanto, têm maior exposição ao vírus.

Mas o estabelecimento de prioridades não significa, de forma nenhuma, que é desnecessário promover a vacinação ampla da população. “Havendo vacina, é certamente muito importante vacinar toda a população e conseguir uma cobertura vacinal de, no mínimo, 60% a 70%, para começarmos a ver um resultado importante da vacinação que é a proteção coletiva, com diminuição da circulação do vírus”, argumenta a vice-presidente da SBIm.

O Programa Nacional de Imunizações estabelece públicos específicos para algumas vacinas, como a de gripe (influenza), voltada a crianças pequenas, idosos, gestantes e outros grupos. Embora a vacina contra a gripe, disponível há vários anos, seja recomendada para todos, a estratégia prioritária, do ponto de vista da saúde pública e considerando as limitações de recursos, é reduzir as hospitalizações e mortes. “Já com a COVID-19, temos um cenário dramático de uma doença grave, que já matou mais de 270 mil pessoas só no Brasil. A gente precisa, diante dessa pandemia, buscar controlar esse vírus para poder voltar circular – voltar, como dizem, ao nosso normal”, conclui Ballalai.

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