Sites trazem informações incompletas e incorretas sobre vacinação de gestantes

Publicado originalmente em Agência Bori. Para acessar, clique aqui.

Highlights

  • Pesquisa analisou 71 sites com informações sobre vacinação em gestantes 
  • Nove entre dez sites não apresentam contraindicações da aplicação durante a gravidez das vacinas de hepatite B, dupla e tríplice bacteriana
  • Quase metade dos sites tem informações incorretas sobre vacinas indicadas em situações especiais

Ao analisar textos sobre vacinação em gestantes de 71 sites direcionados ao público geral, pesquisadoras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificaram que a maioria traz informações incompletas sobre o tema. Nenhum deles apresentou todas as recomendações do Ministério da Saúde sobre a aplicação de vacinas durante a gravidez. Os resultados do estudo estão descritos em artigo publicado na “Revista da Escola de Enfermagem da USP” na sexta (3).

A maior ausência de informação se deu quanto às contraindicações de administração de vacinas. Nove entre dez textos de sites não tinham informações sobre contraindicações de aplicação das vacinas da hepatite B, dupla e tríplice bacteriana durante a gravidez. Em 83% dos sites, não havia contraindicações sobre administração da vacina da influenza em grávidas. A mesma falta de informações também foi observada com relação à administração simultânea das vacinas, com mais de 92% dos sites sem apresentar informações em relação a todas as vacinas analisadas.

As informações sobre vacinas contraindicadas e recomendadas em situações especiais também foram frequentemente negligenciadas ou apresentadas incorretamente. Quase metade dos sites não menciona vacinas contraindicadas durante a gravidez, caso da tríplice viral e vacina do HPV, ou vacinas indicadas em situações especiais, caso das vacinas de hepatite A e B, pneumocócica e febre amarela.  Quando mencionadas, as contraindicações são indicadas incorretamente em 24% dos sites, enquanto as vacinas indicadas em situações especiais são mencionadas incorretamente em 43% dos sites.

Para analisar a confiabilidade das informações disponíveis em sites sobre vacinação de grávidas, Fernanda Penido Matozinhos e colegas compararam as informações dos sites a recomendações do Ministério da Saúde sobre o tema. Eles utilizaram uma lista com essas recomendações, além de informações de contraindicações e vacinas indicadas em situações especiais durante a gravidez. Os 71 sites foram selecionados entre janeiro e março de 2020, a partir de pesquisa dos termos “vacinação em gestante”, “vacinação em mulheres grávidas” e “vacinação durante a gravidez” em sites de busca.

Com qualidade de informação questionável, os sites podem influenciar de forma negativa as decisões de gestantes durante o pré-natal, parto e pós-parto e, consequentemente, os desfechos em saúde, como comenta Matozinhos. “Normalmente as grávidas consideram que esses conteúdos encontrados são confiáveis e não discutem os achados com os profissionais da equipe multidisciplinar”, observa a enfermeira obstetra coautora do estudo. As lacunas de informação podem, inclusive, estimular a hesitação vacinal de gestantes.

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