Quanto vale uma vida negra? O Brasil segue desperdiçando seu próprio futuro

Publicado originalmente em Brasil de Fato. Acesse na íntegra aqui.

A notícia recente do afastamento de policiais militares por mau uso de câmeras corporais durante uma operação no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, poderia ser lida, à primeira vista, como mais um episódio de irregularidade administrativa, mais um caso de falha no protocolo, mais um desvio pontual dentro de uma engrenagem maior. Mas não é. Para quem conhece aquele território, para quem carrega no corpo e na memória as marcas de sua geografia social, essa notícia reverbera de outra forma. A minha família é diretamente atingida por esse contexto, por ter origem no Morro dos Prazeres, e eu mesmo nasci no bairro do Rio Comprido, historicamente conhecido como o “bairro proibido”, não apenas por sua localização, mas pelo estigma que o atravessa e pela forma como o Estado sempre o tratou: como espaço de contenção, vigilância e, não raro, de extermínio.

Compartilhe:

Os comentários estão desativados.

Language »