Pantanal perde 75% da água e pesquisador afirma que o Brasil está secando

Publicado originalmente em ANDA News por Mariana Dandara. Para acessar, clique aqui.

O Pantanal perdeu 74% da superfície de água de 1991 até 2020. Em todo o país, a redução é de cerca de 15,7%, o que equivale a 3,1 milhões de hectares. Os dados foram obtidos através de imagens de satélite do MapBiomas Água, ferramenta do MapBiomas lançada recentemente.

Por meio da inteligência artificial, os pesquisadores mapearam os corpos d’água superficiais do Brasil como um todo, e dos biomas – sendo o Pantanal o que está em pior situação – desde 1985. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o coordenador do MapBiomas disse que o cenário é impressionante e que “o Brasil está secando”.

Surpresos com os resultados do mapeamento, os pesquisadores chegaram a repetir as análises diversas vezes para confirmar os dados. Em 1991, a quantidade de área de superfície de água no país alcançou seu pico e, desde então, os níveis começaram a despencar, gerando o número de 15,7% de redução. Quando se considera todo o período estudado pelos pesquisadores, de 1985 a 2020, a queda é de 7,6%.

Oito das doze regiões hidrográficas do Brasil possuem tendência de perda de água, segundo o MapBiomas. De 1991 em diante, a perda na floresta amazônica foi de 13%; na Caatinga, 15%; no Cerrado, 5,5%; no Pampa, 0,4%; na Mata Atlântica, 4,6%.

Com a redução da água na superfície e nas chuvas, o tempo fica mais seco, o que aumenta as chances de incêndios. De acordo com a ferramente MapBiomas Fogo, 20% do Brasil já pegou fogo nas últimas décadas. Corumbá, na região do Pantanal de Mato Grosso, foi a cidade brasileira com mais queimadas e maior perda de água entre 1985 e 2020.

De acordo com o coordenador do MapBiomas, ainda não se tem uma resposta exata que explique a redução drástica de água no Brasil, mas alguns fatores relacionados a esse fenômeno já foram descobertos. Um deles é a crise climática, que está relacionada à emissão de gases de efeito-estufa e a práticas ambientalmente destrutivas, como a agropecuária, e que tem como consequência o aumento dos períodos de estiagem e a redução das chuvas.

O desmatamento na Amazônia também colabora para tornar o Brasil mais seco. Isso porque a floresta é responsável pela umidade que é levada para o restante do país. “Antes a gente tinha muito receio de falar isso, mas eu não tenho mais dúvida. O desmatamento na Amazônia está reduzindo a quantidade de água na própria Amazônia e no Centro-Sul. O desmatamento na Amazônia está provocando uma redução de chuva”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo.

De acordo com Cássio Bernardino, gerente de projetos do WWF-Brasil, dezenas de barragens construídas para produção de energia hidrelétrica em rios na região pantaneira também podem ter contribuído para a redução de água no bioma. Além disso, a diminuição do efeito esponja – através do qual florestas absorvem água da chuva e liberam as gotículas aos poucos – também tem relação com à queda na quantidade de água do país. Esse efeito tem ocorrido com menos frequência em decorrência do desmate de árvores.

A destruição na Amazônia também influencia a situação do Pantanal, segundo Bernardino, pesquisador do WWF-Brasil. “A Amazônia tem papel fundamental para a chuva na América do Sul. Esse grande sistema que ajudava a regular a precipitação foi impactado”, diz Bernardino.

Para Azevedo, embora frear o desmatamento seja necessário para combater esse problema, “não há nenhum elemento para voltarmos ao que era antes”. “As condições estão dadas para perdermos mais água. Podemos estar criando as condições para acabar com o recurso”, concluiu.

Desmatamento na Amazônia reduz chuvas e intensifica queimadas no Pantanal

O desmatamento na Amazônia não afeta exclusivamente o bioma. Além de piorar a seca no país como um todo, a devastação da floresta também intensifica as queimadas no Pantanal. O motivo é a redução das chuvas geradas pela umidade levada da região amazônica para o restante do país.

Especialistas consultados pelo jornal El País apontaram a relação entre a seca e a destruição da floresta amazônica. “Existem muitos estudos no Brasil que mostram como a umidade que sai da Amazônia abastece outras regiões do país, no Centro Oeste, Sudeste e Sul”, explicou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

O fenômeno natural que leva umidade da Amazônia a outras regiões, gerando chuvas, é denominado “rios voadores”. “Em função de ventos alísios [que formam uma espécie de ciclo] e da cordilheira dos Andes, este rios voadores empurram a umidade da transpiração da floresta para baixo. Quando há uma estação mais seca na floresta ou um aumento do desmatamento ocorre desequilíbrio desses rios voadores e de todo o sistema hidrológico envolvido”, disse Astrini.

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