Publicado originalmente em Brasil de Fato. Acesse na íntegra aqui.
Há filmes que não se oferecem ao olhar: exigem escuta. O Agente Secreto, premiado no Globo de Ouro de 2026 como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, é desses. A direção de Kleber Mendonça Filho opera como quem sabe que o essencial não grita — sussurra. Cada plano parece conter uma pergunta ética, cada silêncio carrega o peso de vidas que aprenderam a existir à margem. O título não se refere apenas à espionagem ou à intriga política: o “agente secreto” é aquele que age no invisível, que protege sem ser visto, que resiste sem assinatura.