Não há evidências de que morte de jovem em SP esteja ligada ao vírus HMPV

Publicado originalmente em Agência Lupa por Maiquel Rosauro. Para acessar, clique aqui.

Post que circula nas redes socais alega que foi confirmada a primeira morte no Brasil pelo metapneumovírus humano (HMPV), da jovem Amanda Caroline Resende de Oliveira, de 29 anos, no dia 4 de janeiro, em Cristais Paulista (SP). É falso.

Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

Primeira morte é confirmada no Brasil e população teme chegada de vírus chinês […] Uma nova informação intensificou o alerta: Amanda Caroline Resende de Oliveira, de 29 anos, morreu no sábado (4), em Cristais Paulista (SP), após apresentar sintomas de vômito e diarreia. Ela havia passado o Ano-Novo no litoral paulista e morreu apenas uma hora após dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

– Texto em post que circula nas redes sociais

Falso

Não há nenhum indício de que Amanda Caroline Resende de Oliveira tenha morrido em decorrência de uma infecção pelo vírus HMPV. Informações sobre o caso divulgadas na imprensa mostram que a jovem morreu com suspeita de virose, após ter realizado uma viagem para uma praia no Guarujá (SP), onde surtos de virose têm sido registrados. Ela havia dado entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cristais Paulista com sintomas de vômitos e diarreia.

Em nota enviada à Lupa, a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que o caso foi registrado como morte natural. 

“O caso foi registrado como morte natural no plantão da Delegacia de Franca e encaminhado à Delegacia de Cristais Paulista, responsável pela área dos fatos. A autoridade policial adotou as diligências iniciais e aguarda a emissão do laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para análise. Caso seja constatado qualquer indício de crime, será instaurado inquérito policial para a devida apuração”, diz a nota da SSP.

O Ministério da Saúde publicou uma nota, em seu site, em 7 de janeiro, informando que está acompanhando com atenção o surto de HMPV na China e salienta que, até o momento, não há alerta internacional emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Lupa contatou a Secretaria Municipal de Saúde de Cristais Paulista, mas obteve retorno até a publicação desta matéria.

Surto na China

O surto de HMPV na China, principalmente entre crianças, tem sido observado com a chegada do inverno no hemisfério norte. O que chamou atenção nas redes sociais foram os posts alarmantes alegando a possibilidade de uma nova pandemia.

Contudo, em coletiva de imprensa realizada em 3 de janeiro, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, negou que haja uma pandemia de HMPV. “As doenças parecem ser menos graves e se espalhar em menor escala em comparação ao ano anterior”, disse Mano Ning

Na semana passada, a Lupa publicou uma reportagem com todas as informações pertinentes sobre o surto, destacando sintomas, tratamentos, prevenção, casos no mundo e a posição das autoridades. 

Morte no Paraná

A Secretaria Estadual de Saúde do Paraná anunciou, na última sexta-feira (10), a morte de uma criança de 1 ano e 2 meses, em Francisco Beltrão (PR), após contrair o HMPV. A confirmação foi feita pelo Laboratório Central do Estado, mais de um mês após o óbito, registrado no dia 13 de dezembro. A criança recebeu o diagnóstico de Síndrome Respiratória Aguda Grave no início daquele mês. 

Conforme o Ministério da Saúde, o HMPV é um vírus respiratório comum, identificado pela primeira vez no Brasil em 2004. “É um vírus conhecido no mundo e comum em casos de síndrome gripal (casos leves), podendo eventualmente evoluir para casos de síndrome respiratória aguda grave que requerem internação”, diz a pasta.

O coordenador-geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e outros Vírus Respiratórios do Ministério da Saúde, Marcelo Gomes, explica que a vacinação contra Covid-19 e gripe é a maneira mais eficaz de prevenção ao HMPV.

“É muito importante incentivar a vacinação entre os brasileiros, pois a imunização contra a Covid-19 e a gripe é uma das maneiras mais eficazes de prevenção, especialmente para grupos prioritários como idosos, gestantes, crianças e pessoas com comorbidades. As vacinas contra Covid-19 e influenza continuam sendo eficazes contra formas graves, reduzindo o número de hospitalizações e óbitos pelas variantes em circulação. Além disso, o uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais e resfriados ajuda a diminuir a transmissão de todos os vírus respiratórios, inclusive o metapneumovírus”, afirma Gomes.

Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos.

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