Não há evidências de que avião que caiu em SP era do PCC

Publicado originalmente em Agência Lupa por Ítalo Rômany. Para acessar, clique aqui.

Circula nas redes sociais um post que afirma que o avião que caiu na última sexta-feira (7), em uma das mais movimentadas avenidas da Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, era de propriedade da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). E que o Ministério Público de São Paulo descobriu que um dos tripulantes tinha associação com o crime organizado e levava consigo cinco quilos de ouro avaliados em R$ 15 milhões e documentos secretos sobre o PCC. É falso, não há qualquer evidência. 

Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

Avião que caiu em São Paulo era do PCC. Ministério Público de São Paulo acaba de revelar uma descoberta chocante sobre a queda do avião em São Paulo. Um dos tripulantes recebeu R$ 2 milhões momentos antes do acidente. Fontes oficiais, tanto da polícia quanto do Ministério Público, confirmam que a bordo estava uma maleta carregando itens de valor e documentos confidenciais que expõem uma rede criminosa do PCC ligada ao tráfico internacional de armas. Na maleta, foram encontrados cinco quilos de lingotes de ouro, avaliados em R$ 15 milhões e cartões de memória criptografados com registros de movimentações bancárias. O destino era Porto Alegre, onde um encontro secreto de lideranças criminosas estava prestes a acontecer.

– Trecho de vídeo que circula no WhatsApp

Falso

Não há qualquer evidência de que o avião que caiu na manhã de sexta-feira (7), na Zona Oeste de São Paulo, tenha alguma relação com o PCC. Em nota enviada à Lupa, a assessoria do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) informou que desconhece o conteúdo propagado pelo vídeo. Tampouco há na imprensa notícias que veiculem que o avião tinha envolvimento com o crime organizado, e tanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) quanto a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo não mencionaram em suas publicações à imprensa qualquer ligação entre os tripulantes e o PCC.

Quem era o dono do avião?

O advogado Márcio Louzada Carpena, de 49 anos, era o proprietário da aeronave. Não há qualquer publicação da imprensa que o associe ao PCC. Ele era um dos dois tripulantes que morreram no acidente. O avião Beechcraft King Air F90, fabricado em 1981, havia sido adquirido por Carpena em dezembro de 2024. Já o piloto Gustavo Carneiro Medeiros trabalhou na Azul Linhas Aéreas entre 2011 e 2021. Também não há publicações na imprensa sobre uma suposta associação do piloto com o crime organizado. 

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em nota, afirmou que o questionamento sobre o conteúdo do post deveria ser encaminhado à Anac. A Agência Nacional de Aviação Civil, por sua vez, ressaltou que a atuação e investigação de atos na esfera criminal é conduzida por autoridades policiais competentes. 

Acidente deixou duas mortes

O avião de pequeno porte King Air decolou do Aeroporto Campo de Marte, na capital paulista, e caiu por volta das 7h20 de sexta-feira (7), na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda. O piloto e o advogado morreram no acidente. 

À imprensa, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que, por causa do acidente, foi registrado um boletim de ocorrência “visto que houve morte em razão da negligência, imprudência ou imperícia”. Mas não cita qualquer relação envolvida com o PCC nas investigações.

Em nota encaminhada à imprensa, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que, durante a vistoria documental da aeronave, identificou anteriormente ao acidente três inconformidades relacionadas exclusivamente a questões técnicas. A Anac ressaltou no texto que a aeronave estava com o certificado de aeronavegabilidade válido e apta a voar. 

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