Imunização contra a COVID-19 tem relação com falsa vacinação para espionar Bin Laden?

Publicado originalmente em Nujoc Checagem por Edison Mineiro. Para acessar, clique aqui.

O Nujoc recebeu para checagem um post do perfil @verum_vitae_ no instagram abordando uma operação realizada pela Agência Central de Inteligência Americana (CIA) com o objetivo de encontrar Osama Bin Laden no Paquistão a partir de uma falsa campanha de vacinação. Contudo, ao fim da publicação os leitores são instigados a desconfiarem da vacinação atual contra a COVID-19: “E aí, você acha que tem alguém te espionando?”. Vale destacar que material foi encaminhado para verificação até nossa equipe por meio do aplicativo Eu Fiscalizo da Fiocruz (Disponível para Android e IOS).

Página no instagram Verum Vitae fala sobre a operação de falsa vacinação para encontrar Bin Laden. Imagem: Reprodução

De fato, o relato sobre a espionagem aconteceu. Com informações da BBC Brasil, em 2011 a CIA usou uma campanha falsa de vacinação para tentar acessar as instalações usadas pelo líder da Al-Queda, Osama Bin Laden, no Paquistão, e obter seu DNA.

Os agentes da CIA recrutaram um médico local, Shakil Afridi, para organizar a campanha na cidade paquistanesa de Abbottabad, onde o líder da Al-Qaeda se escondeu por diversos anos.

Cabe pontuar que no ano de 2014, a CIA alegou que não usará mais campanhas de vacinação como fachada para espionar. A situação aconteceu após uma dúzia de reitores de instituições de saúde pública dos EUA escreverem ao presidente Barack Obama contestando o método de investigação utilizado.

De acordo com o El País, a Casa Branca garante que não utilizará o material genético obtido através dessas falsas campanhas de vacinação e diz que não voltará a estratégia em suas operações de espionagem. Um porta-voz da CIA assegurava que o diretor da Agência, John Brennan, “levou muito a sério as preocupações expressas pela comunidade de saúde pública”.

Retomando a publicação em checagem, a página Verum Vitae erra ao associar a espionagem realizada pela agência estadunidense com a campanha atual de imunização para a COVID-19.

A desinformação vai de encontro com fakes corriqueiras que alegam a presença de chips e, posteriormente, rastreio nas pessoas vacinadas.

Segundo o imunologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), não há qualquer componente magnético na composição das vacinas, e que não é fisicamente possível criar um campo magnético no corpo ao ser imunizado. “Todas as vacinas disponíveis no mundo, e as quatro disponíveis aqui no Brasil, têm em comum a alta segurança. São vacinas extremamente seguras, não relacionadas a efeitos colaterais graves. Todas têm uma excelente eficácia na prevenção das formas graves da covid-19”, afirma Kfouri à Agência Brasil.

O Ministério da Saúde esclareceu à Agência Brasil que é normal que algumas vacinas multidose – aquelas que vêm em frascos que são utilizados para mais de uma pessoa – usem timerosal – um conservante à base de mercúrio, que tem sido utilizado durante décadas para evitar a contaminação por bactérias e fungos. A quantidade, entretanto, é insignificante e não tem capacidade de gerar os efeitos colaterais.

Já sobre a possibilidade de existir chip líquido, Ney Laert Vilar Calazans descarta totalmente a existência da tecnologia. Ele é doutor na área de microeletrônica na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, professor titular na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) há mais de três décadas, graduado em engenharia e pós-graduado em engenharia elétrica e ciência da computação.

“Existem estudos que tentam fazer a evolução dos chips, que hoje são feitos de silício. Eles podem ser muito pequenos, podem ser colocados embaixo de uma unha sem ninguém ver e são chips com alguma complexidade. A gente está chegando no limite dessa tecnologia de silício. Então o pessoal está fazendo pesquisas e uma das pesquisas é usar uma tecnologia similar à de organismos biológicos, tipo proteínas e outras coisas para fazer processamento de informação, mas estamos muito longe disso. Não existe como você ter um chip líquido hoje, uma proteína capaz de prover o controle do corpo de alguém”, frisa o pesquisador ao G1.

A presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, Linnyer Beatrys Ruiz Aylon, afirma que a pergunta sobre chip líquido é a que mais tem recebido. “Apesar de todo desenvolvimento que temos conseguido com o silício e de produzirmos quintilhões de dispositivos no mundo, não existem chips líquidos ou solúveis em plasma ou sangue e tampouco chips que possam estar ‘escondidos’ em vacinas. Em nosso conhecimento, isso não é possível. Fake news”, informa também ao G1.

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