Estudo mostra que coral nocivo à natureza avança para áreas de proteção ambiental de PE

Publicado originalmente em Agência Bori. Para acessar, clique aqui.

Highlights

  • Com modelos matemáticos, pesquisadores verificaram a tendência de crescimento do coral-sol em Pernambuco
  • Costa dos Corais, Recifes Serrambi e Santa Cruz são as áreas de proteção ambiental em risco 
  • Avanço do coral-sol traz prejuízos econômicos para o turismo e a pesca, além de danos ambientais

Cientistas do Projeto Conservação Recifal (PCR) verificaram que o coral-sol, que chegou ao litoral de Pernambuco em 2020, se instalou definitivamente na região e está avançando em direção a áreas de proteção ambiental, apesar dos esforços de contenção da espécie feitos em âmbito nacional e estadual. Em relatório feito em parceria com o WWF-Brasil e o Instituto NeoEnergia antecipado pela Bori, eles trazem dados de predição das áreas de proteção ambiental onde esses corais podem se instalar: Costa dos Corais, Recifes Serrambi e Santa Cruz.

As espécies de coral-sol (Tubastraea tagusensis e Tubastraea coccínea) vêm sendo acompanhadas pelos biólogos desde novembro de 2020. Além de trazer prejuízos de desequilíbrio ecológico, por ser uma espécie não nativa do litoral brasileiro, ela também pode impactar a economia. “Esse coral mata as espécies nativas da região, diminui a produção pesqueira e pode prejudicar até o turismo”, explica Pedro Henrique Pereira, biólogo e membro do Projeto Conservação Recifal. Os cientistas reforçam que a invasão de espécies é considerada a segunda maior causa da perda de biodiversidade.

Essas espécies de corais são uma preocupação para a natureza brasileira desde a década de 80, quando pesquisadores as detectaram em plataformas de petróleo e gás do Rio de Janeiro.  Elas invadem outras regiões ao se prenderem em cascos de navios, que as transportam para diferentes locais do planeta. Como não encontram predadores nessas outras regiões, elas acabam se proliferando e ocupando o espaço de espécies de corais nativas.

“O setor petrolífero gera um impacto ambiental muito grande ao carregar os corais-sol, que atinge um ecossistema prioritário para os oceanos, os recifes de corais”, comenta o analista de conservação do WFF-Brasil Vinícius Nora. Por isso, ele acredita que a contenção da espécie deveria ser uma agenda importante para esse setor, além das áreas interessadas na conservação dos recifes de corais.

Na análise de Pereira, apesar dos esforços, os recursos limitados do governo estadual de Pernambuco impedem o combate do avanço do coral de forma mais efetiva. No âmbito federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Humanos (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligados ao Ministério do Meio Ambiente, lançaram em 2018 um Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Coral-Sol no Brasil. “Apesar da existência do plano, pouco foi feito na prática para evitar o avanço do coral”, avalia o biólogo.

Segundo os pesquisadores, o modelo matemático criado por eles para prever a tendência de invasão do coral-sol pode ser utilizado por outros grupos empenhados em entender esse problema ecológico. Além disso, Pereira enfatiza a importância da pesquisa e do investimento na remoção dos corais. Seu projeto tem interagido com diversas instituições para operar essas remoções: “Envolvemos instituições de pesquisa, universidades públicas e, inclusive, a iniciativa privada. As operadoras de mergulho e turismo, por exemplo, têm dado bastante apoio às nossas ações”.

Para Renata Chagas, diretora-presidente do Instituto Neoenergia, “é muito importante que a sociedade se engaje em iniciativas de preservação do meio ambiente, e os oceanos são fundamentais para a biodiversidade e ao equilíbrio do ecossistema. Precisamos enfrentar as mudanças climáticas e preservar a biodiversidade, e esse é um dos pilares de nossa atuação, diz. 

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