Publicado originalmente em Agência Lupa por Catiane Pereira. Para acessar, clique aqui.
Circula nas redes sociais uma captura de tela que supostamente mostra o perfil de Deise Moura dos Anjos no Facebook. Deise foi presa sob suspeita de envenenar um bolo com arsênio, o que teria causado a morte de três pessoas em Torres, no Rio Grande do Sul. O perfil em questão exibe como foto de capa uma imagem da bandeira do Brasil junto à logomarca da campanha política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). É falso.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

Envenenou o bolo da família do marido, É DEUS, PÁTRIA FAMÍLIA SURPRESA ZERO
– Legenda de imagem que circula pelas redes sociais
Falso
Trata-se de uma montagem. A imagem que supostamente exibe o perfil de Deise Moura dos Anjos foi manipulada digitalmente, com elementos como a bandeira do Brasil e o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) adicionados posteriormente.
Além disso, a ferramenta True Media, especializada em detectar manipulações digitais e deepfake, analisou a imagem e identificou evidências substanciais de adulteração. Vale destacar que a True Media encerrou suas atividades em 14 de janeiro.
A Lupa entrou em contato com o advogado Cassyus de Camargo Pontes, responsável pela defesa de Deise, que confirmou que a imagem é falsa e não corresponde ao perfil da acusada na plataforma.
Questionado pela Lupa, Cassyus de Camargo não esclareceu se sua cliente registrou um boletim de ocorrência sobre os perfis falsos que circulam na internet. Além disso, ele afirmou não ter autorização para divulgar o perfil verdadeiro da cliente.

Captura de tela da análise da imagem do suposto perfil de Deise Moura. Foto: Truemedia.
Envenenamento de bolo no RS
Deise Moura, presa pela polícia sob suspeita de envenenar um bolo que causou a morte de três pessoas de uma mesma família no município gaúcho de Torres, no dia 5 de janeiro, teve sua prisão temporária decretada por 30 dias após audiência de custódia. Ela é investigada por triplo homicídio e tentativa de homicídio, ambos duplamente qualificados. Segundo o Instituto-Geral de Perícias (IGP), a farinha usada no preparo do bolo continha concentrações letais de arsênio, substância sobre a qual Deise havia pesquisado anteriormente na internet. A perícia também confirmou altas concentrações de arsênio nos corpos das vítimas e testemunhas relataram gosto estranho no bolo.
A polícia concluiu que Deise Moura dos Anjos comprou e usou arsênio para envenenar o bolo. A investigação aponta que ela adquiriu o veneno pela internet em quatro ocasiões e o misturou na farinha usada na receita. Deise também é investigada por outros envenenamentos, incluindo o do sogro, morto em 2024, cujo corpo apresentou arsênio após ingestão de alimentos levados por ela.
A defesa de Deise diz aguardar acesso completo aos documentos do caso.
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