Publicado originalmente em Jornal da UFRGS. Acesse na íntegra aqui.
Entre 2001 e 2024, o Brasil registrou 43 casos de violência extrema contra escolas. Aproximadamente um terço deles culminou na morte de ao menos uma vítima. Além disso, há registros de 13.117 vítimas de violência interpessoal nas escolas em todo o Brasil apenas no ano de 2023. Entre os episódios mais relatados por gestores escolares estão o bullying e a discriminação por raça, orientação sexual e aparência física. Os dados são do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH).
Produzida pelo grupo de trabalho de especialistas em violência nas escolas, instituído pelo Ministério da Educação (MEC), a pesquisa Ataques às escolas no Brasil: análise do fenômeno e recomendações para a ação governamental parte de estudos de caso para oferecer subsídios à formulação de políticas públicas e orientar a resposta governamental ao problema. Ela aponta, ainda, que a disseminação e o fomento aos discursos de ódio, sobretudo na internet, estão na base do crescimento de casos registrados. O estudo ressalta, também, a importância da Educação em Direitos Humanos (EDH) e da atenção à formação docente para essa prática.
O sociólogo e professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Cara é o relator do estudo. Ele conversou com o Jornal da Universidade sobre os impactos dos discursos de ódio sobre as gerações mais jovens e sobre a Educação para os Direitos Humanos.