Publicado no site do Jornal da USP
A inteligência artificial adentrou silenciosamente os corredores das universidades. Inicialmente como curiosidade experimental com algumas ferramentas que otimizavam a escrita e organizavam material, e depois foi conquistando um espaço cada vez maior, tornando-se uma presença capaz de alterar o modo como se escreve, se lê, se pensa. O que a princípio servia apenas uma ferramenta, passou a produzir efeitos profundos na própria arquitetura da pesquisa acadêmica. É o que observa o pesquisador Gabriel Teles, do grupo de pesquisa “Teoria sobre o Totalitarismo” da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo em artigo publicado no Jornal da USP.
A velocidade e a versatilidade com que essas tecnologias operam despertam encantamento, inevitavelmente. O texto que antes exigia dias de maturação estilística é agora esboçado em minutos, com coesão gramatical e lógica aceitável. A revisão bibliográfica que antes demandava consultas repetidas a dezenas de PDFs, notas e cadernos rabiscados, agora é reduzida a comandos que rastreiam artigos, cruzam conceitos, sintetizam argumentos. A IA se torna uma espécie de bússola semântica, guiando o pesquisador por oceanos de dados com uma precisão que nem sempre está ao alcance da consciência humana. E, no entanto, é justamente aí que começa o risco: ao tornar fácil demais o processo de pesquisa, corre-se o perigo de que se torne também superficial.
Leia o artigo completo no site do Jornal da USP neste link: https://jornal.usp.br/artigos/como-a-ia-transforma-a-escrita-academica-e-desafia-o-pensamento-critico/.