Bandeira do orgulho LGBT+ não foi banida em escolas dos EUA; medida atinge embaixadas e consulados

Publicado originalmente em Agência Lupa por João Pedro Capobianco. Para acessar, clique aqui.

Circula pelas redes sociais a alegação de que a bandeira do orgulho LGBTQIA+ foi banida das escolas nos Estados Unidos. É falso.

Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“A partir de hoje será proibido o uso da Bandeira LGBTQIA+ nas escolas Estados Unidos BANNED”

– Texto em publicação nas redes sociais

Falso

Não houve, entre as medidas executivas adotadas pelo presidente Donald Trump desde sua posse, na segunda-feira (20), banimento da bandeira do orgulho LGBTQIA+ nas escolas dos Estados Unidos. Publicações nas redes também alegam que a bandeira do orgulho foi proibida em todos os prédios públicos do país. Embora o governo Trump tenha anunciado o fim das políticas de diversidade, equidade e inclusão nos órgãos federais, não há menção à palavra “bandeira” no comunicado governamental.

A medida que diz respeito a bandeiras foi, na verdade, uma orientação do Departamento de Estado (equivalente ao Ministério das Relações Exteriores no Brasil) para que postos avançados estadunidenses, incluindo prédios de embaixadas, consulados e outras representações norte-americanas em solo estrangeiro, hasteiem apenas a bandeira nacional dos Estados Unidos em suas repartições.

A implementação da chamada “política de uma bandeira” já está em vigor e faz parte do conjunto de promessas feitas por Donald Trump no sentido de reduzir políticas de diversidade e inclusão no governo dos Estados Unidos.

Em 2021, o Departamento de Estado, sob comando de Anthony Blinken, havia autorizado o hasteamento de bandeiras do orgulho gay em repartições norte-americanas ao longo do mês de junho, que celebra o orgulho LGBTQIA+. O consulado estadunidense no Brasil hasteou a bandeira com as cores do arco-íris nos dias 1, 2 e 4 de junho daquele ano.

A recente medida do Departamento de Estado desfaz essas autorizações, mas não tem apenas a bandeira do orgulho LGBTQIA+ como alvo. Em fevereiro de 2022, consulados norte-americanos puderam hastear a bandeira do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), em comemoração ao Mês da História Negra, o que de acordo com as novas regras não poderá mais acontecer.

Projetos estaduais

Existem projetos locais que tentam banir o símbolo LGTQIA+ em escolas americanas. Em novembro de 2023, o deputado estadual republicano Gino Bulso, do Tennessee, propôs limitar os tipos de bandeiras que poderiam ser exibidas em escolas do estado. 

A proposta foi criticada por grupos de defesa LGBTQIA+, que classificaram a medida como um ataque à liberdade de expressão. O deputado estadual democrata Sam McKenzie afirmou, na ocasião, que “o que esse projeto de lei está fazendo é proibir a bandeira LGBTQIA+”. Uma pesquisa sobre a proposta no site da Assembleia Geral do Tennessee não gerou resultados.

Segundo dados da União Americana pelos Direitos Civis (American Civil Liberties Union), 510 projetos anti-LGBT foram apresentados em legislaturas estaduais em 2023, número quase três vezes maior do que o registrado no ano anterior.

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