Publicado originalmente na coluna da DiraCom no Brasil de Fato
As eleições brasileiras foram marcadas por casos explícitos de censura e manipulação do debate público, especialmente pela Meta e outras plataformas digitais. Foram censurados o próprio presidente Lula, jornalistas, artistas e milhares – talvez milhões – de usuários, que viram seus conteúdos perderem alcance ou suas publicações e contas serem restringidas. Os abusos foram denunciados pelas Nações Unidas, pelos próprios trabalhadores da Meta e por organizações da sociedade civil, entre elas o DiraCom. Não apenas a ausência de respostas, mas a continuidade da interferência da Meta, não deixam dúvidas: é hora de regular as plataformas digitais e construir a soberania digital.
A Meta e as demais plataformas não vão mudar por iniciativa própria. O papel das corporações digitais estadunidenses é, exatamente, constituir uma estrutura de mediação social a serviço do imperialismo. Em janeiro de 2025, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, foi explícito em afirmar que se aliaria com o governo Trump contra qualquer país que buscasse regular as plataformas digitais, como é o caso do Brasil. As grandes corporações digitais estadunidenses patrocinaram a ofensiva dos Estados Unidos contra o país, e Trump usou o tarifaço para pressionar contra a regulação destas empresas.
O desenvolvimento dessas plataformas é resultado das mudanças sistêmicas associadas ao neoliberalismo e às suas mais recentes crises. Elas passaram a reorganizar relações de trabalho, entre outras, no sentido da desregulação neoliberal. Fomentaram a cultura individualista e empreendedora. Ampliaram a concentração econômica e de poder em torno de suas infraestruturas. Constituíram novas formas de controle social, em escala global. Não há neutralidade ou falha. É projeto.
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