A vacina contra a gripe pode ajudar a combater tumores?

Publicado originalmente em instagram de União Pró-Vacina. Para acessar, clique aqui.

Nos anos recentes muito se estudou sobre os aspectos imunológicos dos tumores. O consenso hoje é que há tumores que possuem grande presença de células do sistema imune ao seu redor (chamados de imunologicamente “quentes”) e tumores que apresentam pouca presença de células imunológicas (tumores “frios”).

Outra grande descoberta foi o desenvolvimento de bloqueadores de proteínas que impedem o sistema imune de eliminar tumores. Bloquear a função destas moléculas “destrava” o sistema imune, permitindo que o tumor seja reconhecido e eliminado. Estas descobertas resultaram no prêmio Nobel de medicina de 2018 a dois pesquisadores (Allison e Honjo).

Um dos segredos pra estas terapias é que o tumor tem que ser imunologicamente “quente”. Um estudo do grupo da Pesquisadora Jenna Newman propõe usar a vacina da gripe para transformar tumores frios em quentes. Para investigar, os pesquisadores induziram tumores no pulmão de camundongos e viram que, quando os animais tinham infecções pulmonares pelo vírus, os tumores cresciam menos. Já se o mesmo tumor estivesse sob a pele, a infecção do vírus no pulmão não tinha efeito. Isso mostrou que o vírus precisaria estar localizado no mesmo lugar que o tumor para gerar benefício.

Os pesquisadores então decidiram injetar um vírus inativado direto no tumor. A presença do vírus, mesmo que não funcional, tornou o tumor imunologicamente “quente”, reduzindo o crescimento. O tumor com perfil mais quente pôde se beneficiar da imunoterapia.

Em seguida, os cientistas demonstram que vacinas comerciais para gripe geraram efeito semelhante. Isso é importante pois permitiria que as vacinas comerciais contra influenza auxiliassem o tratamento de pacientes com câncer.

O trabalho gerou grande impacto ao demonstrar que uma vacina muito utilizada poderia ser adaptada como terapia antitumoral. Assim, a vacina poderia ser utilizada em doses repetidas para aumentar sua potência, com o benefício adicional de proteção contra a infecção pelo vírus influenza.

Por Martin Bonamino, Ph.D. @martinlab.imuno
Pesquisador e Líder do Laboratório de Imunologia de Tumores
Programa de Imunologia e Biologia de Tumores (INCA)
Programa FioCâncer (FIOCRUZ)

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