Publicado originalmente por The Conversation Brasil
A desinformação em saúde não é apenas “ruído” digital, ela se traduz em atrasos de diagnóstico, abandono de tratamento e conflitos dentro das famílias. Este fenômeno é ainda amplificado na porta de entrada dos sistemas de saúde, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). O que circula em mídias sociais e grupos de WhatsApp aparece poucas horas depois no balcão da unidade, na visita domiciliar ou na sala de vacinação. E quando a informação falsa se espalha, ela não apenas confunde, mas reorganiza prioridades, desestrutura rotinas e fragiliza a autoridade técnica de quem atua efetivamente na orientação da população.
Um estudo comparado com países de língua portuguesa e espanhola detalha como a desinformação desafia simultaneamente a gestão do conhecimento e a confiança nas autoridades sanitárias. Ao olhar para diferentes contextos sociopolíticos e níveis de acesso digital, a análise ajuda a entender por que em certos lugares a desinformação tem maior aderência, e como ela reconfigura o trabalho das equipes de saúde.
O projeto Estudos Comparados sobre a Desinformação em Saúde, coordenado pelo Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde da Universidade de Brasília (ECoS/UnB), uma rede nacional e internacional, reúne pesquisadores a fim de investigar a comunicação na Atenção Primária, com participação das universidades do Estado do Rio de Janeiro e das federais de Goiás, Paraíba e do Vale do São Francisco.
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