O ‘pacote retórico’ do ódio: a fórmula que faz a desinformação viralizar nas redes sociais

Publicado originalmente em espanhol pela agência de checagem Newtral

Em 9 de julho de 2025, um incidente em Torre-Pacheco (Múrcia), na Espanha, desencadeou uma enxurrada de mensagens nas redes sociais X, TikTok e Telegram, em que algumas delas incitavam a “caça aos marroquinos”. A partir deste incidente, uma equipe multidisciplinar de jornalistas e cientistas buscou analisar como nossas mentes processam a informação, na busca por compreender o que faz com que a desinformação se transforme em uma avalanche nas redes sociais.

A aliança inédita entre os verificadores de fatos da Newtral e os pesquisadores do Centro de Pesquisa da Mente, Cérebro e Comportamento (CIMCYC) da Universidade de Granada resultou em um projeto de pesquisa intitulado “A Psicologia da Desinformação”. O estudo, selecionado pelo Centro Europeu de Jornalismo e pela Universidade NOVA de Lisboa por meio do programa de financiamento da Aliança para a Ciência do Jornalismo, produziu a descoberta de um “pacote retórico” recorrente de mecanismos psicológicos, independentemente da plataforma. A colaboração também possibilitou o desenvolvimento de um modelo de IA robusto e validado que replica critérios de especialistas, o que possibilita equilibrar o ritmo da reflexão científica com a agilidade jornalística para obter resultados metodologicamente sólidos.

A pesquisa revela que o discurso polarizado não utiliza mecanismos isolados, mas uma combinação coordenada de quatro indicadores psicológicos que aparecem juntos em 86 a 97% dos casos. A fórmula combina identidade de grupo (nós contra eles), apresentação de informações distorcidas, inferências causais injustificadas e linguagem emocional. A análise concluiu que esta combinação alimentou a maioria das mensagens que circularam sobre Torre-Pacheco nas semanas seguintes ao primeiro incidente.

O que se observou foi um padrão estrutural, detectado com a mesma consistência nos textos publicados no X, nas descrições de vídeos do TikTok e em canais do Telegram. Trata-se de uma narrativa que transcende o formato da mensagem para falar diretamente aos preconceitos do usuário.

Leia a matéria na íntegra aqui.

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