Publicado originalmente por Estadão
Canais no YouTube publicam vídeos usando personagens reais, cenários verdadeiros e contextos factíveis, mas inventam episódios, criam narrativas sem fundamento e espalham desinformação livremente. Eles se justificam dizendo que as histórias narradas por lá, criadas com inteligência artificial (IA), são “ficção” para fins de “entretenimento”. Para pesquisadores, essa é uma estratégia nova de poluir o ambiente informativo com desinformação política.
O Estadão Verifica mapeou sete canais no YouTube que usam inteligência artificial para criar histórias fictícias sobre personalidades da política brasileira. Juntos, eles acumulam mais de 2 milhões de seguidores e 21 milhões de visualizações. Até o dia 24 de junho, quatro permaneciam no ar.
Dos sete, três deles avisam na descrição do canal ou no final da legenda de cada vídeo que as informações publicadas lá são fictícias, têm o objetivo de gerar entretenimento ou “estimular o debate e o pensamento crítico”. Os demais não trazem nenhum tipo de aviso: apenas publicam histórias inventadas como se fossem verdadeiras.
Para o pesquisador Everton Santana, membro do Núcleo de Estudos de Jornalismo (NJor) da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), os conteúdos publicados nesses canais nem sequer poderiam ser chamados de ficção, já que usam personagens reais.
Outro problema é o fato de o aviso de “ficção” não aparecer no vídeo em si, e sim na descrição do canal – que fica em uma página distinta – ou no final da legenda. Quando esses conteúdos são compartilhados em outras redes sociais, como Instagram, Facebook, TikTok, X e no WhatsApp, eles ficam sem nenhum tipo de alerta.
Para pesquisadores, as plataformas precisam assumir um papel mais ativo no monitoramento do que é publicado e recomendado, já que muitos desses canais ganham dinheiro espalhando desinformação, e ainda promovem lucro para a plataforma, na medida em que acumulam milhões de visualizações e geram tráfego.
Leia a matéria na íntegra aqui.