Identidade e cidadania: pesquisa investiga o papel da arte no cotidiano de mulheres em prisão provisória

Publicado originalmente em Jornal da UFRGS. Acesse na íntegra aqui.

“Nas celas lotadas, com sorte, duas pessoas dividem uma cama, dormindo ‘de valete’: com a cabeça para lados distintos. Um banheiro é usado por até 25 presas por um tempo de, no máximo, dez minutos. Caso queiram se depilar, fazem em outro momento, às vezes em cima da cama, com um potinho de água por perto. […] Não podem dormir com travesseiro; embolam roupas para repousar a cabeça. Não podem ter espelho na cela. Também não podem usar maquiagem. Falta papel higiênico, falta absorvente. Não é possível ter nenhuma intimidade, não há separação dos espaços, há pouca ventilação, e os ventiladores trazidos de casa não dão conta”Trecho da tese de doutorado em Artes Visuais de Márcia Machado Braga

A descrição acima foi feita pela artista visual Márcia Braga, que desde 2019 trabalha voluntariamente no Presídio Madre Pelletier, no bairro Teresópolis, em Porto Alegre. O trecho, que oferece uma noção geral da realidade em alguns presídios femininos no Brasil, foi retirado da tese de doutorado de Márcia, que recebeu o Prêmio Capes de Tese 2025 na área das Artes. Além de trazer a ambientação do que é trabalhar e vivenciar um ambiente prisional no Brasil, ele reflete sobre a contribuição da prática artística para as mulheres em prisão provisória (isto é, aquelas que ainda estão aguardando o seu julgamento e sua pena definitiva). 

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