Publicado originalmente em Instituto Palavra Aberta. Acesse na íntegra aqui.
Desde que as operações mais agressivas do ICE foram autorizadas nos Estados Unidos, com o crescimento de atos violentos e arbitrários contra cidadãos desarmados, um movimento popular e descentralizado nas comunidades visadas ensina os cidadãos sobre formas legais de resistência pacífica. A principal delas consiste em mobilizar observadores para registrar possíveis violações de direitos. Filmar não é só um ato de denúncia; é um ato de proteção. Em contextos marcados por assimetria de poder, a presença de testemunhas com celular pode ser a única forma de evitar abusos. Guerras, conflitos internos e operações policiais nos mostram há muito tempo que a história é escrita não apenas por relatos oficiais, mas por quem vivenciou e registrou – e, na era digital, a repercussão desses registros é imediata e global. Um exemplo é a imensa mobilização após os assassinatos de Renée Good e Alex Pretti, em Minneapolis, catalisada pelos registros em vídeo feitos pela população.