Golpistas usam deepfake de Bolsonaro em fraude do dinheiro esquecido

Publicado originalmente em Agência Lupa por Evelyn Fagundes. Para acessar, clique aqui.

Circula nas redes sociais um vídeo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirma que o Banco Central está oferecendo uma última chance para resgatar o “dinheiro esquecido” no CPF. É falso. Trata-se de uma deepfake. 

Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​: 

Olha só, pessoal. Já pensou descobrir que tinha um dinheirinho esquecido e depois não poder mais pegar? Pois é. Quem perder o prazo vai ficar sem. O Banco Central está dando a última chance para você consultar se tem algum valor no seu CPF e sacar o que for seu. O processo é tranquilo e sem burocracia. É só entrar no site oficial, colocar seus dados e, se tiver saldo, o valor cai direto na sua conta via pix. Mas, tem que agir rápido. Depois de hoje esse dinheiro some e não dá mais para recuperar

– Transcrição do vídeo que circula nas redes sociais

Falso

O vídeo é falso. Bolsonaro teve sua imagem manipulada por meio de uma deepfake – técnica que altera falas e expressões com o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA). A Lupa identificou que, para essa manipulação, foi utilizado um vídeo que foi publicado pelo ex-presidente em junho de 2024. No post original, Bolsonaro anunciava uma viagem a Belém para apoiar o deputado federal Éder Mauro (PL-PA), que na época era candidato à prefeitura da capital paraense — disputa que acabou perdendo para Igor Normando (MDB).

Vale lembrar que o único site oficial onde é possível consultar valores esquecidos é o do Banco Central que, ao contrário do que alega o vídeo falso, pode ser acessado o ano todo, sem um prazo. 

Golpistas criam senso de urgência para fisgar vítimas

Nota-se que o post manipulado apela para a sensação de urgência. No discurso, é dito que “é a última chance” para resgatar o valor, que o prazo está se encerrando e que é preciso agir rapidamente – caso contrário, o dinheiro iria sumir e não poderia mais ser recuperado. É preciso ficar atento a esse tipo de narrativa, que explora o medo de perder uma oportunidade. Esse recurso busca causar pânico e induzir o usuário a acessar o site indicado no vídeo falso.

O post manipulado inclui um link que direciona para um site que simula um portal governamental. Com símbolos do gov.bro layout tenta ludibriar o usuário passando a sensação de que ele está em um local seguro, o que é uma farsa. Observando a URL, é possível verificar que ela não possui o domínio “.gov”. A página falsa pede o CPF para seguir com a falsa consulta. 

Tela do site que se passa pelo governo

Inserir dados pessoais em sites não confiáveis pode representar um risco. Quando essas informações caem nas mãos de golpistas, elas podem ser vendidas como mercadoria em redes criminosas. Conforme a Lupa já orientou, nunca forneça seus dados sem verificar a autenticidade da página.

Assim como em golpes semelhantes verificados pela reportagem da Lupa, após digitar os dados, é exibida uma matéria falsa do Jornal Nacional, da Rede Globo, manipulada com IA, em que o apresentador William Bonner fala sobre uma indenização que estaria sendo distribuída pelo governo Lula (PT). A mesma reportagem já foi usada em outras fraudes com o objetivo de trazer confiança.

Na sequência, o usuário é levado a um chat falso que simula a liberação de R$5.960, mediante o fornecimento de mais informações pessoais. Por fim, é solicitado o pagamento de uma taxa de R$ 59,90 com pagamento via Pix – uma tática comum usada por golpistas para extrair dinheiro das vítimas

Valores a Receber

Segundo o Banco Central do Brasil, o único site oficial onde é possível consultar a devolução dos seus valores – seja dinheiro pessoal, de empresas ou de pessoas falecidas – é o Valores a Receber. Além disso, vale destacar que o serviço de consulta é totalmente gratuito, ao contrário do site golpista que pede uma taxa. 

No portal oficial, o BC explica que para acessar os valores, é necessário atender a requisitos específicos. Por exemplo, para pessoas físicas e jurídicas, a conta no sistema gov.br deve ser de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas habilitada

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