Publicado originalmente em Agência Lupa por João Pedro Capobianco. Para acessar, clique aqui.
Circula pelas redes sociais a alegação de que Mikey Madison, vencedora do Oscar de melhor atriz por seu papel no filme Anora, fez um discurso contra o subsídio estatal – incentivos fiscais oferecidos pelo governo – para artistas. É falso.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

“Jovem atriz que derrotou Fernanda Torres dá declaração polêmica em discurso. SE VOCÊ PRECISA DE UM SUBSÍDIO ESTATAL PARA FAZER ARTE, VOCÊ NÃO É MAIS UM ARTISTA, MAS UM FUNCIONÁRIO PÚBLICO”
– Texto em publicação nas redes sociais
Falso
A atriz Mikey Madison, vencedora do Oscar 2025 pelo papel principal no filme Anora, não disse que subsídios estatais tornam um artista funcionário público. Uma busca na internet não retornou qualquer resultado que associe a atriz à opinião contrária aos subsídios.
A frase sobre subsídios estatais atribuída à atriz foi dita, na verdade, pelo presidente da Argentina, Javier Milei, em 17 de fevereiro, durante entrevista concedida ao canal Todo Noticias, afiliado à rede de televisão CNN. A partir de uma pesquisa com a frase utilizada na postagem enganosa, chega-se a diversos conteúdos associados a Milei, sendo possível verificar que foi ele quem fez a afirmação.
Na ocasião, Milei respondeu a perguntas sobre o escândalo dos criptoativos que abalou o governo argentino (o presidente recomendou investimentos em ativos que, após súbita valorização, despencaram, em ação que foi vista como manipulação de mercado) e sobre o atrito entre ele e artistas populares argentinos, como María Becerra e Lali Espósito. “Se você, para viver da arte, precisa de subsídio do Estado, você não é um artista, é um funcionário público”, afirmou Milei.
Madison dedicou Oscar para trabalhadores do sexo
Em seu discurso de aceitação do prêmio de melhor atriz no Oscar, na noite de domingo (2), Madison agradeceu à família e às pessoas que fazem parte de sua vida profissional. Além disso, falou sobre a comunidade das profissionais do sexo — tema do filme Anora — e elogiou o trabalho das atrizes que concorriam com ela ao prêmio.
A publicação que atribui a fala de Milei à protagonista de Anora usa o nome e a imagem da atriz Fernanda Torres para passar a ideia de que a atriz brasileira e/ou o filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar na categoria melhor filme internacional, foram subsidiados com dinheiro público.
Na imagem que acompanha a publicação enganosa, é possível ler o termo “Lei Rouanet”. A falsa alegação de que o filme Ainda Estou Aqui recebeu recursos via lei Rouanet já foi desmentida pela Lupa.
De acordo com a própria legislação (Lei nº 8.313/1991), longas-metragens (obras com mais de 70 minutos de duração) não são contemplados com benefícios fiscais, apenas “obras cinematográficas de curta e média metragem e filmes documentais” (artigo 3º, inciso II, alínea a).