Publicado originalmente em Brasil de Fato por Regina Goj-Téj Emílio*. Para acessar, clique aqui.
O júri do assassino de Daiane Kaingang, vítima de feminicídio em 2021, será em 12 de fevereiro, em Coronel Bicaco
Sou mulher indígena do povo Kaingang e, há mais de três anos, venho junto com várias companheiras trazendo para o cotidiano a luta pelos direitos das mulheres e meninas nativas, para que possam florescer e crescer conforme manda a lei da vida.
Nossos corpos, há muito tempo, vêm sendo desrespeitados, violados, estuprados e mortos, sem nenhum constrangimento ou permissão. Somos vistas como objetos. Lágrimas, gritos, medo, dor e vazio surgem como um turbilhão nas noites escuras, sombrias e tenebrosas, onde ocorrem, geralmente, as violências.
Nosso grito é por justiça, por aquelas que foram violadas, pelas silenciadas e por aquelas que ainda serão vítimas.
“Meu corpo, meu território” tem sido, durante todo esse tempo, a única forma de enfrentar o assédio do ódio, do domínio e do racismo, que destroem sonhos, templos e a vida das mulheres e meninas cruelmente atacadas e impedidas de negar os atos contra si.
Chega! Basta! Nenhuma de nós aceita perder mais ninguém! Muitas meninas tiveram suas vidas drasticamente transformadas, vandalizadas por desejos macabros e insanos, travestidos de justificativas como: “Foi sem querer”, “Não faço mais”, “Estava bêbado”, “Você provocou”, “Estava no lugar errado”, “Vou mudar…”. Tiraram-lhes a vontade de viver e adoeceram as mentes e os corpos de todas nós.
Quando uma mulher é agredida, todas nós somos. Nosso gênero merece respeito! Afinal, somos as matriarcas, as progenitoras, as que geram a vida e a descendência do nosso povo.
Temos direitos e precisamos de olhares específicos. É urgente que as redes de apoio e cuidado funcionem de forma eficaz dentro dos nossos ẽmã, enquanto lutamos por dignidade e apoio. Queremos programas que invistam no bem viver e na soberania alimentar da nossa gente, onde as mulheres sejam protagonistas em seus lares e possam criar seus filhos sem medo e sem a culpabilidade de ser feminina.
Queremos políticas públicas que nos representem, que atendam às nossas necessidades de viver plenamente.
“Meu corpo, meu território” tem sido, durante todo esse tempo, a única forma de enfrentar o assédio do ódio, do domínio e do racismo, que destroem sonhos, templos e a vida das mulheres e meninas cruelmente atacadas e impedidas de negar os atos contra si.
Chega! Basta! Nenhuma de nós aceita perder mais ninguém! Muitas meninas tiveram suas vidas drasticamente transformadas, vandalizadas por desejos macabros e insanos, travestidos de justificativas como: “Foi sem querer”, “Não faço mais”, “Estava bêbado”, “Você provocou”, “Estava no lugar errado”, “Vou mudar…”. Tiraram-lhes a vontade de viver e adoeceram as mentes e os corpos de todas nós.
Quando uma mulher é agredida, todas nós somos. Nosso gênero merece respeito! Afinal, somos as matriarcas, as progenitoras, as que geram a vida e a descendência do nosso povo.
Temos direitos e precisamos de olhares específicos. É urgente que as redes de apoio e cuidado funcionem de forma eficaz dentro dos nossos ẽmã, enquanto lutamos por dignidade e apoio. Queremos programas que invistam no bem viver e na soberania alimentar da nossa gente, onde as mulheres sejam protagonistas em seus lares e possam criar seus filhos sem medo e sem a culpabilidade de ser feminina.
Queremos políticas públicas que nos representem, que atendam às nossas necessidades de viver plenamente.