Golpe usa imagem de Zuckerberg para divulgar plataforma que promete ganhos diários de R$ 200

Publicado originalmente em Agência Lupa por Evelyn Fagundes. Para acessar, clique aqui.

Circulam nas redes sociais vídeos afirmando que Mark Zuckerberg, dono da Meta – empresa responsável pelo Facebook, Instagram, Threads e o app de mensagem WhatsApp –, lançou uma plataforma que permite aos usuários do Facebook ganharem R$ 200 por dia. O post afirma que é necessário acessar um site para obter a vaga dessa oportunidade. É falso. Trata-se de um golpe.

Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​: 

Mark Zuckerberg, dono do Facebook, lançou essa semana uma nova função que está pagando aos usuários mais de R$ 200 por dia apenas por ter um perfil no Facebook. Graças a essa oportunidade já fazem dois meses que larguei meu emprego como entregador do Ifood. E se você está procurando uma oportunidade de trabalho de casa que paga bem eu tenho uma ótima notícia pra você. O Facebook abriu vagas de trabalho pagando a partir de quatro salários por mês. E se esse vídeo apareceu pra você, você foi um dos selecionados. Clique em ‘saiba mais’ e comece a trabalhar pro Facebook ainda hoje antes que as vagas acabem

– Transcrição do vídeo que circula nas redes sociais

Falso

A Meta não lançou nenhuma plataforma que bonifica usuários em dinheiro. A Lupa verificou que, ao menos, sete vídeos de Mark Zuckerberg estão sendo utilizados em conteúdos que promovem essa desinformação. Ao clicar no link que acompanha o post, é apresentada uma plataforma que promete distribuir dinheiro para pessoas assistirem anúncios. Foram encontradas diversas reclamações que acusam o tal site de golpe. 

A Lupa identificou outros seis vídeos que promovem a mesma narrativa falsa. Foto: Reprodução 

Lupa identificou, nas redes sociais de Mark Zuckerberg, alguns dos vídeos que foram utilizados para criar os posts desinformativos. Um deles foi publicado em outubro de 2024outros dois foram compartilhados em julho do ano passado, um em fevereiro daquele ano, outro em julho de 2021

Um outro vídeo foi encontrado no YouTube, publicado pelo canal da emissora de TV ESPN em 13 de abril de 2024. A gravação analisada nesta verificação foi compartilhada em diversos veículos em fevereiro do ano passado e o site de esportes da Globo também abordou o registro que foi feito durante uma luta de UFC. O contexto dos sete vídeos não tem qualquer relação com a falsa promessa de bonificação por assistir anúncios. 

Como funciona o golpe

O site que é apresentado nos posts desinformativos redireciona o usuário para uma gravação que explica como funciona a suposta plataforma. A narração alega que se trata de um aplicativo em que as pessoas podem assistir a publicidades, avaliá-las e receber dinheiro em troca. No vídeo, são apresentadas cinco pessoas que demonstram o quão “fácil” é fazer a avaliação dos conteúdos e receber o dinheiro na conta bancária. Uma delas, inclusive, afirma que conseguiu conquistar “o carro dos sonhos” utilizando a ferramenta. 

A narração da gravação alega que ao realizar as tarefas propostas, é possível ganhar R$ 6 mil por mês. É afirmado, ainda, que diversas empresas – sem mencionar quais – estão pagando a plataforma para que as pessoas forneçam sua “opinião sincera” sobre os anúncios antes que a publicidade seja lançada para o público geral. É dito, ainda, que essa é uma oportunidade para sair do “emprego desgraçado” e “conquistar sua liberdade financeira”.

No entanto, para acessar a plataforma, é afirmado que é necessário pagar uma taxa. A justificativa que é dada para essa tarifa é de que muitas pessoas têm aplicado golpes se passando por essa empresa que lucra com publicidades e, pois isso, foi necessário “criar uma taxa para manter esse setor funcionando”. Para fazer o pagamento, são oferecidas duas formas: Pix ou cartão de crédito. 

A narração afirma que o melhor método é o Pix, uma vez que a transferência é feita na hora. Já pelo cartão de crédito, segundo o que é alegado, seria uma forma muito burocrática em que a bandeira do cartão poderia ligar para o titular e fazer perguntas sobre o pagamento. Logo após, é dito que a ferramenta é segura, muda vidas e é dada até uma sugestão para o caso da pessoa estiver sem dinheiro para comprá-la:  “pedir dinheiro emprestado para alguém de confiança”. 

Denúncias no Reclame Aqui

Lupa procurou pelo nome da plataforma no Reclame Aqui e encontrou diversas críticas sobre as promessas que foram feitas. “Comprei o aplicativo por R$ 134,90 e prometeram fazer saque logo depois de fazer 20 avaliações, realizei as 20 avaliações, fui realizar o saque e solicitaram outra taxa que paguei no valor de R$ 129,51 para desbloquear o saque. Infelizmente não cumpriram o desbloqueio. Quero meu reembolso total dos valores que paguei”, afirma um reclamante.

“Comprei um método lucrativo hoje dia 13/12, no cartão da minha mãe, através de um anúncio no Facebook, e fui enganada”, afirma um usuário no Reclame Aqui. “Quero meu dinheiro de volta, comprei e não recebi nada”, diz outra pessoa. “Aceitei a oferta e, ao acessar o site, realizei as avaliações conforme indicado no link enviado por e-mail. No entanto, até o momento, não consegui receber o valor pago para acessar o serviço”, alega outro reclamante

O site Techtudo fez uma publicação sobre a plataforma que promete dinheiro. Segundo o portal, o aplicativo não é confiável. “O primeiro indício de que o app não é confiável é o fato de não estar disponível nas lojas oficiais de aplicativos. Para instalá-lo, é preciso fazer o download em sites suspeitos e ainda burlar algumas camadas de segurança do sistema Android, deixando o dispositivo vulnerável a todo tipo de malware”, destaca o site. 

Promessas de “dinheiro fácil” 

Lupa identificou, ainda, outros vídeos com a mesma narrativa. Foi encontrada uma gravação que mostra um homem realizando tarefas domésticas e a narração da filmagem afirma que ele teria recebido dinheiro e deixado de trabalhar como entregador do Ifood por meio da tal plataforma de exibição de anúncios. 

Também apuramos esse caso e verificamos que os vídeos originais foram compartilhados por um influenciador que mostra seu dia a dia nas redes sociais. No entanto, a narração que promove a falsa ferramenta não está presente nos posts do homem. Notou-se, portanto, que o áudio foi adicionado posteriormente pelos criadores do conteúdo falso.

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