Deepfake usa Fátima Bernardes para vender falso tratamento ocular

Publicado originalmente em Agência Lupa por Maiquel Rosauro. Para acessar, clique aqui.

Um post nas redes sociais mostra um vídeo no qual a jornalista Fátima Bernardes questiona se as pessoas assistiram o testemunho do pastor Lamartine, que afirma ter ficado cego e descoberto uma receita capaz de aliviar e curar glaucoma, catarata e até regenerar a visão. Na sequência, o vídeo exibe o relato do religioso sobre um produto chamado “Oculiv”, acompanhado de um link para compra do produto. É falso. O vídeo foi gerado por inteligência artificial.

Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

Gente do céu, vocês viram o testemunho do pastor Lamartine, que chegou a ficar cego e que graças a Deus descobriu uma receita que alivia e cura glaucoma, cataratas e, até mesmo, regenera a visão? Fazem três dias que estou usando e já consigo até enxergar as letras da Bíblia e das receitas…”

– Fala de Fátima Bernardes em vídeo que, até 10h do dia 20 de janeiro de 2025, havia sido compartilhado por 245 usuários no Facebook

Falso

Nem Fátima Bernardes nem o pastor Lamartine gravaram qualquer vídeo relacionado ao produto ‘Oculiv’. Uma análise realizada pela ferramenta de inteligência artificial (IA), Hive, aponta que há 99,9% de probabilidades de o vídeo ter sido gerado por IA ou deepfake (técnica usada para falsificar conteúdos).

Análise da Hive indica que o vídeo foi gerado por IA ou deepfake. Imagem: Reprodução

A página no Facebook que divulga o produto – chamada Dra Camila Ferraz – também é fake e foi criada no dia 2 de janeiro. A profissional é apresentada como oftalmologista, porém uma busca no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) e outra no Google não geraram resultados, o que indica que essa profissional não existe.

De acordo com a Hive, há 97,5% de probabilidade de a fotografia usada no perfil da página ter sido feita por IA ou deepfake.

Hive aponta que a imagem usada para apresentar a “oftalmologista Camila Ferraz” é falsa. Imagem: Reprodução

Para tornar o vídeo viral, a página investe em anúncios pagos no Facebook. Na tarde de sexta-feira (17), conforme a Biblioteca de Anúncios da Meta, havia 44 versões do anúncio online apenas para usuários do Facebook. Ou seja, o responsável pela página investe dinheiro na Meta para espalhar desinformação.

CBO alerta sobre os riscos de usar Oculiv

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou uma nota alertando à população sobre o uso de deepfakes na venda de medicamentos oftalmológicos sem prescrição. 

“A venda de medicamentos sem prescrição médica sempre foi uma preocupação do CBO. Com o rápido avanço da inteligência artificial, essa vigilância se torna ainda mais importante. A manipulação de imagens é cada vez mais convincente e todos estamos vulneráveis a ser enganados. Por isso, é fundamental recorrer sempre às recomendações médicas e verificar o registro do produto na Anvisa antes de qualquer compra”, alerta Wilma Lelis Barboza, presidente do Conselho.

O CBO informa que ingressou com ação judicial contra a Cury Vision – responsável pelo Oculiv – e acionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Além de prejudicar financeiramente as pessoas, a compra de colírios e outros medicamentos sem prescrição médica pode colocar a visão em risco. Apenas um médico oftalmologista é capacitado para avaliar e tratar a saúde dos olhos. Qualquer tratamento independente pode fazer com que os pacientes retardem diagnósticos e não percebam o avanço de doenças oculares”, explica Lelis.

Produto não tem registro na Anvisa

site do Oculiv informa que o produto é “100% natural e aprovado pela Anvisa”. Entretanto, a informação também é enganosa. Não há registro sobre esse produto no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento.

Outro lado

Lupa entrou em contato com a Cury Vision e com a Meta, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. A verificação será atualizado caso alguma das empresas se manifeste.

Esse conteúdo também foi verificado por Uol Confere.

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