Bolsonaro não foi preso em 1987 por planejar atentado contra o Estado

Publicado originalmente em Agência Lupa por Maiquel Rosauro. Para acessar, clique aqui.

Post nas redes sociais alega que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso em 1987 por planejar e incitar atentado contra o Estado Brasileiro. A publicação ainda cita a Lei nº 13.260 – legislação antiterrorismo. É falso.

Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

Bolsonaro
Lei 13260
Preso em 1987 por planejar e incitar atentado contra o Estado Brasileiro.

– Texto em post que, até 13h50 do dia 8 de janeiro de 2025, havia sido compartilhado por 460 usuários no Facebook

Falso

Bolsonaro não foi preso em 1987, mas sim um ano antes, em 1986, quando foi punido com uma prisão disciplinar de 15 dias devido um artigo de sua autoria publicado na revista Veja. Então capitão de artilharia, ele criticava os baixos salários no Exército. 

Conforme documentos do Superior Tribunal Militar (STM) sobre o caso, os quais a Folha de S.Paulo teve acesso, Bolsonaro foi detido por “ter ferido a ética, gerando clima de inquietação na organização militar” e “por ter sido indiscreto na abordagem de assuntos de caráter oficial, comprometendo a disciplina”. 

No inquérito sobre o caso, o ex-capitão, como revela a reportagem da Folha, reconheceu ter cometido uma “transgressão disciplinar” ao escrever o artigo.

Ou seja, Bolsonaro não foi detido por incitar atentado contra o Estado Brasileiro. Além disso, a publicação erra ao citar a Lei nº 13.260. A legislação – conhecida como Lei Antiterrorismo – foi sancionada em 16 de março de 2016 pela presidente Dilma Rousseff (PT), 30 anos depois do então capitão ter sido preso.

Plano de atentados

A revista Veja publicou, em outubro de 1987, reportagem que apontava Bolsonaro e outro capitão como idealizadores de um plano para obter melhores vencimentos para a categoria. Chamado de Beco sem Saída, a ideia era realizar protestos com explosões de bombas em unidades militares do Rio de Janeiro. A Veja chegou a publicar um esboço do plano, supostamente atribuído a Bolsonaro. 

Ao STM, em resposta enviada em 1988, Bolsonaro negou sua participação no plano. “Nego veementemente tal plano. Como posso provar que não o conhecia? À Veja cabe o ônus da prova. Baseado em que elementos chegou à absurda conclusão de que eu tinha ou sabia de um plano?”, disse. 

Bolsonaro foi considerado culpado pelos coronéis, mas acabou absolvido depois, em recurso acolhido pelos ministros do STM, por 8 votos a 4.

Conteúdo semelhante já havia sido verificado pela Lupa em agosto do ano passado, quando viralizou um post alegando que Bolsonaro havia sido preso em 1987 por ter planejado um atentado contra o Exército.

Esse conteúdo também foi verificado por Reuters.

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