Xilitol pode reduzir carga viral do novo coronavírus?

Publicado originalmente em Nujoc Checagem por Thalita Albano. Para acessar, clique aqui.

O Nujoc Checagem, em parceria com o aplicativo Eu Fiscalizo – da Fiocruz (disponível para Android e iOS), recebeu para averiguação, uma publicação realizada no Instagram do @terrabrasilnoticias citando que um estudo científico revela que o xilitol reduz a transmissão e complicações em casos de Covid-19. Na legenda, através de um link disponível, é possível ter acesso a matéria completa sobre o assunto.

Publicação do Instagram @terrabrasilnoticia sobre estudo acerca do xilitol. Imagem: Reprodução

O estudo científico, segundo a página, foi feito pela Revista Sciense. O mesmo tratou de avaliar novas maneiras de reduzir o contágio do agente SARS CoV-2, causador da Covid-19. De acordo com pesquisas realizadas, o nariz é a principal porta de entrada do novo coronavírus no organismo. Por isso mesmo, foram analisadas terapias intranasais que inibem ou reduzem a transmissão do vírus por essa via.

“Quando as vias superiores são um dos principais canais para a entrada de infecções pulmonares, acende um alerta de que terapias intranasais possam ser uma munição promissora na guerra travada contra o coronavírus”, relatou a Dra. Denise Katz, médica pediatra e gerente médica da Hypera Pharma.

Com as informações recebidas, o Nujoc Checagem averiguou a publicação, constatando que existe de fato um estudo feito sobre o xilitol e sua ação sobre a Covid-19, contudo, até o momento, além desse estudo, não há nada que comprove que o medicamento é eficaz ou indicações do mesmo por parte da Organização Mundial de Saúde ou do Ministério da Saúde.

O xilitol se caracteriza por ser um adoçante que carrega propriedades antimicrobianas e pode agir na redução de inflamações. Possui um papel importante no processo imunológico, uma vez que potencializa a produção de óxido nítrico (NO), substância que faz parte da primeira linha de defesa do corpo contra microrganismos, por meio da sua ação antiviral e antibacteriana. Além disso, o xilitol também promove o aumento do batimento ciliar da mucosa nasal, um mecanismo de defesa respiratório que ajuda a expelir o vírus para fora do organismo. 

 Um estudo in vitro, conduzido por Bansal, como destacado na matéria do site Terra, comparou a ação antiviral de iota-carragenina e xilitol contra a Sars-CoV-2 e descobriu que iota-carragenina em concentrações tão baixas quanto 6 µg/mL e o xilitol em uma concentração de 5% m/V – facilmente incorporadas em sprays intranasais – demonstram inibir a infecção por SARS-CoV-2 em culturas de células Vero. 6,7.

Além desse estudo, outro também foi realizado, dessa vez com animais. Conduzido por Xu e colaboradores, o estudo demonstrou que o xilitol na dieta teve atividade antiviral contra o vírus sincicial respiratório humano (VSRh). O teste foi feito em camundongos que receberam o adoçante via oral por 14 dias, antes do desafio do vírus; e três dias após o desafio. Os resultados indicaram uma redução do vírus encontrado nos pulmões dos animais que receberam xilitol por via oral, o que inibiu e diminuiu a gravidade da infecção. Também foi descoberto que menos Linfócitos CD3 + e CD3 + CD8 + foram ativados nos camundongos que receberam xilitol na dieta, o que indicou uma redução na resposta associada à inflamação e à infecção por VSRh. 6,8.

Os autores dos estudos realizados concluíram que a terapia intranasal tem potencial para agilizar a recuperação de pacientes com Covid-19 em quadros leves e moderados, reduzir a transmissão da infecção de pessoa para pessoa e, consequentemente, auxiliar na prevenção da infecção dos profissionais de saúde por meio de exposição em procedimentos e exposição pré-operatória, além da possibilidade de ser utilizado como profilaxia pós-exposição.

“A possibilidade de utilizar agentes com propriedades antivirais como o xilitol para diminuir a transmissão do vírus e limitar as complicações mais graves de doenças infecciosas é animadora. A concentração sinalizada nos estudos pode ser facilmente encontrada em sprays nasais já disponíveis no mercado”, falou Denise Katz.

Ainda segundo ela, o excelente perfil de segurança e a atividade única para reduzir as cargas virais, torna o xilitol uma possível alternativa dentro das terapias antivirais. “A prática clínica ainda precisa ser estudada, visando a eficácia e segurança dos tratamentos, mas a terapia nasal se mostra promissora”, ponderou Katz.

Mesmo com a publicação do estudo na Revista Science, até o presente momento, não há nos órgãos de saúde, nenhuma comprovação da eficácia do xilitol contra a Covid-19 ou recomendação do uso de terapias intranasais. Por isso, é necessário que os protocolos de saúde instituídos pela OMS como uso de máscara e distanciamento sejam seguidos como forma de evitar o contágio pelo novo coronavírus. A vacinação também se faz necessária, visto que o imunizante é o único meio comprovadamente eficaz contra a doença que já tirou a vida de milhares de pessoas.

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