Uso de hidroxicloroquina reduz riscos de internações por covid-19?

Publicado originalmente em Nujoc Checagem por Thaís Guimarães. Para acessar, clique aqui.

Nujoc Checagem teve acesso, por meio do Aplicativo Eu Fiscalizo, a uma publicação nas redes sociais do deputado estadual Bruno Engler (PRTB-MG), onde ele cita um estudo publicado na International Journal of Antimicrobial Agents, que aponta que pacientes que se trataram da covid-19 com hidroxicloroquina têm 84% menos chances de serem hospitalizados.

“A chance de hospitalização dos pacientes tratados foi 84% menor do que nos pacientes não tratados”, diz um trecho do estudo, segundo a publicação do deputado no Instagram.

Nós conseguimos acessar o estudo na íntegra, disponibilizado em PDF, e pudemos constatar que de fato a pesquisa foi realizada e teve o resultado mencionado acima. Os pesquisadores responsáveis são: Roland Derwand, da Alexion Pharma Germany; Martin Scholz, da Heinrich-Heine-University; e Vladimir Zelenko, do Medical Group Practice.

O objetivo do estudo em questão foi descrever os resultados de pacientes com covid-19 em regime ambulatorial após o tratamento precoce com zinco, hidroxicloroquina em baixas doses e azitromicina (terapia tripla) dependente da estratificação de risco.

Embora o estudo tenha de fato sido realizado, com o resultado já citado, a Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão que concentra todas as orientações e diretrizes referentes a pandemia, ainda não aconselha o uso de hidroxlicloroquina ou de qualquer outra substância sem eficácia evidenciada em estudos de respaldo.

No site oficial da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da OMS, foi disponibilizada uma seção específica para tirar dúvidas sobre a doença provocada pelo novo coronavírus.

Nessa seção, a OMS apresenta o Estudo Solidariedade, um estudo de controle randomizado do mundo sobre terapias para covid-19, coordenado pela OMS e envolvendo quase 13 mil pacientes em 500 hospitais de 30 países (dados de 16 de outubro de 2020).

“Os resultados preliminares coletados ao longo de seis meses indicaram que os medicamentos remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir/ritonavir e interferon têm pouco ou nenhum efeito na prevenção de mortes por covid-19 ou na redução de tempo que a pessoa passa hospitalizada”, diz a OMS.

A OMS reconhece que há estudos afirmando a eficácia da hidroxicloroquina, no entanto, ressalta que as evidências divulgadas até o momento são insuficientes.

“As evidências disponíveis sobre benefícios do uso de cloroquina ou hidroxicloroquina são insuficientes, a maioria das pesquisas até agora sugere que não há benefício e já foram emitidos alertas sobre efeitos colaterais do medicamento. Por isso, enquanto não haja evidências científicas de melhor qualidade sobre a eficácia e segurança desses medicamentos, a OPAS recomenda que eles sejam usados apenas no contexto de estudos devidamente registrados, aprovados e eticamente aceitáveis”.

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