Planta aquática que reduz flúor da água se torna forte candidata em tratamentos de descontaminação

Publicado originalmente em Agência Bori. Para acessar, clique aqui.

Highlights

  • Pesquisadores realizaram experimento com a lentilha-d’água para descontaminação de águas por fluoreto
  • Tratamento com a espécie foi mais eficiente comparado a tratamentos com outras plantas aquáticas
  • Uso de plantas aquáticas para descontaminação de água pode substituir métodos mais caros e não sustentáveis

Pesquisadores das Universidade Federais de Viçosa e Ouro Preto, em Minas Gerais, encontraram uma forma alternativa para o tratamento de águas de uso doméstico que estejam contaminadas com o fluoreto, que é a forma iônica do flúor. Em experimento com a espécie Landoltia punctata, também conhecida como lentilha-d’água, foi possível remover até 21% de flúor da água. A previsão de remoções do fluoreto com esse tratamento pode chegar a 30%, segundo as modelagens matemáticas feitas pela equipe do estudo. Artigo publicado na última edição da “Revista Engenharia Agrícola” traz esses detalhes.

Em concentrações reduzidas, o flúor adicionado a águas de uso doméstico ajuda na prevenção de cáries e na mineralização normal dos ossos e do esmalte dentário. Contudo, quando em excesso, a mesma substância pode provocar fluorose dentária, doença que afeta dentes em formação com o surgimento de manchas, e até o surgimento de doenças cancerígenas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 260 milhões de pessoas no mundo estejam expostas a concentrações de flúor em águas de uso doméstico maiores do que o valor recomendado pela agência, de 1.5 mg por litro. Só no Brasil foram encontradas amostras bem acima das recomendadas pelos padrões científicos nas redes de distribuição residenciais, de acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (2015).

O uso de plantas aquáticas como agentes de purificação não é novo e tem surgido como uma alternativa mais econômica e sustentável para o tratamento de contaminantes em águas. Ele pode substituir formas tradicionais de tratar a água com fluoreto, como adsorção, precipitação e eletrodiálise, que exigem altos custos e produzem um resíduo de difícil descarte.

O pesquisador Alisson Borges, um dos autores deste estudo, explica que muitas plantas têm a capacidade de absorver contaminantes dos meios onde elas estão. Nos próprios testes com fluoreto algumas espécies aquáticas já foram estudadas, com a Hydrilla verticillata e a Pistia stratiotes, ou popularmente conhecida como alface d´água. Contudo, essas plantas apresentavam uma taxa variável de tempo de resposta entre seu contato com a solução com flúor e a descontaminação em si.

O processo de descontaminação com a lentilha-d’água, por outro lado, parece ser mais acelerado. “A lentilha-d’água apresenta uma rápida taxa de crescimento e desenvolvimento, mesmo em efluentes tratados e, portanto, ela era uma forte candidata para o processo de fitorremediação”, comenta Borges.

Para chegar a essa constatação, os pesquisadores realizaram um experimento, expondo plantas da espécie a uma concentração de flúor de 5 mg por litro durante dez dias. No final do período, eles realizaram análises da quantidade de fluoreto, nitrato e fosfato na água para avaliar o efeito da planta no pH do meio e no grau de nutrientes.  “A espécie alcançou uma eficiência na remoção de flúor e aumentou sua massa úmida”, comenta o pesquisador.

Os pesquisadores ainda não encontraram estudos que utilizassem essa espécie de planta aquática para a descontaminação de fluoreto em água, embora ela esteja sendo testada para remoção de outros contaminantes. Borges afirma que outros estudos precisarão ser feitos para entender as variáveis que determinam os graus de absorção de flúor pela planta. “Precisamos avaliar, por exemplo, se essa espécie tolera grandes quantidades de fluoreto, sem qualquer prejuízo”, finaliza.

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