Não existem alimentos milagrosos para prevenir ou tratar a COVID-19

Publicado originalmente em Covid-19 DivulgAÇÃO Científica. Para acessar, clique aqui.

Nas redes sociais, é extensa a lista de produtos alimentícios e substâncias que supostamente teriam potenciais propriedades de combater a doença 

No Instagram, um perfil que aparece com frequência nas filtragens do aplicativo parceiro Eu fiscalizo tem diversas publicações sobre alimentos com o poder de prevenir ou ajudar no tratamento da COVID-19. Em uma postagem recente, a medida da plataforma de rede social de excluir conteúdos desse tipo, classificados como desinformação, é questionada.

Já mostramos, aqui, que não existe indicação de uso do alho contra a COVID-19, assim como o própolis não cura a doença. A lista de produtos alimentícios que supostamente teriam propriedades capazes de minimizar os efeitos da infecção é variada e inclui café, o adoçante xilitol e substâncias como a curcumina (presente na cúrcuma ou açafrão indiano) e a quercetina, facilmente encontrada para compra na internet na forma de cápsulas.

“Muitos estudos feitos com substratos começam a avaliá-los não como um nutriente isolado, mas já como um fármaco. Infelizmente, a maioria deles nunca foi convincente, porque não teve métodos adequados; e não só na COVID, inclusive em outras enfermidades, como câncer e o próprio diabetes”, avalia a nutróloga Maria Isabel Correia, professora titular aposentada do departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

Nutrição e imunidade

Correia afirma que o papel da alimentação no tratamento da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 não é diferente, se comparado a outras doenças. “A COVID, quando grave, afeta muito o estado nutricional do doente. Isso é uma coisa que temos visto, mas não é uma particularidade dessa doença, e sim de qualquer doença grave. O doente que vai para o CTI e fica entubado, sedado, quando ele sai está funcionalmente incapaz, por causa das perdas nutricionais e de massa muscular”, relata. A nutróloga enfatiza que não existem tratamentos milagrosos para esses pacientes, mas um conjunto de recursos terapêuticos, que envolve a nutrição adequada, além de atividades físicas. 

“Alimentação tem um papel importante, como no controle do diabetes, das doenças cardiovasculares e na prevenção e tratamento de pacientes com câncer. Então, faz parte de uma abordagem holística do bem-estar e da doença”, pondera.

A nutróloga lembra que a nutrição tem relação com o sistema imunológico ‒ complexo mecanismo de defesa do corpo humano operado por diferentes tipos de células que reagem à entrada de vírus, bactérias e outros microorganismos. “Uma dieta balanceada leva a um sistema imunológico mais equilibrado. Na doença instalada, o sistema imunológico tem papel extremamente relevante e a alimentação é a garantia de que ele vai receber os substratos para continuar a agir”, diz.

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