COVID-19: se os sintomas piorarem, não hesite em buscar atendimento hospitalar

Publicado originalmente em COVID-19 DivulgAÇÃO Científica por Catarina Chagas. Para acessar, clique aqui.

om sintomas graves, ficar em casa e fazer uso de tratamentos sem comprovação de eficácia, como ‘kit-COVID’ e inalação com bicarbonato de sódio, é perigoso e pode ter consequências graves.

Em um vídeo divulgado pelas redes sociais e identificado como desinformação pelo aplicativo parceiro Eu Fiscalizo, um homem aconselha pessoas com sintomas de COVID-19 a não procurar atendimento hospitalar. Segundo o vídeo, pacientes que vão para o hospital acabam morrendo. A alternativa sugerida é fazer uso dos medicamentos do chamado ‘kit COVID’ e inalação com bicarbonato de sódio e água. Atenção: esta é uma conduta perigosa, desaconselhada por especialistas em saúde.

Já explicamos, aqui, que não existe nenhuma evidência científica de que os medicamentos do ‘kit COVID’, em conjunto ou separadamente, sejam eficazes para tratar a COVID-19. Também não existem estudos científicos conclusivos que fundamentem a recomendação de inalação com bicarbonato de sódio para tratar COVID-19 ou qualquer outra doença respiratória.

Segundo a infectologista Raquel Stucchi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), qualquer pessoa que apresente sintomas de COVID-19 – desde um quadro respiratório leve, que pode parecer rinite ou resfriado, até um quadro de diarreia ou perda de olfato e paladar – deve procurar atendimento médico presencial e realização de teste confirmatório do diagnóstico. “Nessa ocasião, a pessoa vai receber o pedido de coleta de exames e orientação sobre o isolamento dela própria e de seus contatos, além de orientações sobre como reconhecer sinais de gravidade da doença”, esclarece Stucchi.

Um dos sintomas de gravidade mais importantes é a baixa oxigenação do sangue, medida por aparelhos de oximetria. Além disso, se o paciente sentir fadiga no corpo ou se a febre continuar alta a partir do quarto ou quinto dia do aparecimento dos sintomas, é fundamental procurar um hospital.

“Se a pessoa apresentar baixa oxigenação, quanto mais cedo começar a receber o oxigênio suplementar e outras medidas hospitalares – como o uso controlado de corticoides e anticoagulantes –, maior a chance de evitar a ventilação mecânica ou intubação”, conta a infectologista. E ressalta: “Até o momento, infelizmente, não existe nenhuma medicação capaz de evitar a evolução para as formas graves da COVID-19. Portanto, havendo sinais de gravidade, não aguarde qualquer medicação fazer efeito. Procure atendimento presencial”.

Stucchi explica que, quando o quadro de um paciente se agrava e ele não busca o atendimento adequado, a situação pode piorar e tornar-se irreversível. Por isso, é fundamental procurar um hospital. “Hoje, a maior parte dos pacientes, atendidos a tempo com essas medidas de oxigênio suplementar e corticoide, evoluem bem, sem precisar de ventilação mecânica. Mas, se alguém espera muito para buscar atendimento, pode perder essa chance”, alerta.

A especialista sublinha, por fim, a situação dramática enfrentada pelos hospitais do país, com restrição da disponibilidade de vagas de UTI, e a importância de se manter as medidas preventivas contra a COVID-19, como uso de máscaras, distanciamento social e higiene das mãos, mesmo para quem já teve a doença ou já tomou a vacina.

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