Coletivo Memória e Utopia dedica reflexão e ações às mulheres

Publicado originalmente em Coletivo Memória e Utopia. Para acessar, clique aqui.

No mês de junho e julho de 2020, as mulheres foram tema das ações e reflexões do Coletivo Memória e Utopia. 

Levante de Mulheres contra Bolsonaro

O Coletivo é um dos signatários do Levante de Mulheres Contra Bolsonaro, lançado em 14 de junho, uma campanha pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O Levante das Mulheres foi inspirado na campanha #EleNão, de 2018, e motivado pelos efeitos da fracassada política do governo federal. Em manifesto, que pode ser lido na íntegra neste link,  as mulheres articuladas no Levante afirmam que “A política do (des)governo Bolsonaro – que mata diariamente cerca de mil brasileiros por Covid-19, amplifica a necropolítica e o genocídio de jovens negros, aumenta a desigualdade e o empobrecimento da população, retira direitos e faz apologia à ditadura e ao fascismo”. O texto invoca o Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) a cumprirem o seu papel de responsabilização do Presidente da República por seus atos.

O lançamento da campanha em junho foi realizado nas mídias sociais por meio da hashtag #MulheresDerrubamBolsonaro e de uma live no canal do grupo no Youtube e na página no Facebook. Fazem parte da iniciativa centenas de mulheres do país inteiro e que vivem no exterior, representando, com seus coletivos, movimentos e organizações, 15 áreas da sociedade civil.

Em 2 de julho, foi realizado um ato na Esplanada dos Ministérios em Brasília, marcando a entrega do Manifesto Levante das Mulheres Brasileiras ao Congresso Nacional, ao TSE e ao STF. Participaram do ato diversos movimentos feministas e as deputadas federais da @frentefeministaantirracista. O ato de entrega também contou uma live na página do Facebook do movimento. O Levante das Mulheres continua a articulação pelas mídias sociais, participam de diferentes comissões as integrantes do Coletivo Memória e Utopia Nalu Rosa, Rosemeire Rodrigues e Márcia Evangelista de Souza.

Seminário Mulheres e o Mundo Pós-Pandemia: Memória e Utopia

Em 17 de julho foi realizado pelo Coletivo Memória e Utopia, em parceria com a articulação Amig@as de Ivone Gebara, o seminário Mulheres e o Mundo Pós-Pandemia: Memória e Utopia. O evento on-line, moderado por Mônica Souza (Memória e Utopia) e Cátia Cristina (Amig@as de Ivone Gebara), contou com a participação de 96 pessoas que se inscreveram, oriundas de todo o Brasil e de outros países, como Porto Rico, Portugal e Argentina. Houve também a audiência de 30 outros/as participantes, que assistiram ao vivo à transmissão do evento pelo canal do Coletivo Memória e Utopia no Youtube.

Na abertura do seminário, a pesquisadora em Comunicação e Religiões Magali Cunha apresentou a proposta do Coletivo Memória e Utopia e recordou o silenciamento da memória da contribuição das mulheres para as igrejas, a começar pela forma como lideranças cristãs apagam a relevância das mulheres nas narrativas da Bíblia. Magali Cunha ressaltou a importância de se recuperar esta memória silenciada para alimentar a trajetória das mulheres no presente, superando a falácia da “ideologia de gênero”, em construção ao futuro com justiça de gênero. Neste tempo a relevância desta demanda se intensifica, uma vez que na pandemia de Covid-19, as mulheres estão entre os grupos humanos que mais sofrem os efeitos cruéis do processo, entre eles os casos de violência doméstica.

A teóloga católica feminista Ivone Gebara ressaltou o lugar da memória das mulheres e a relevância de se recuperar as histórias do cotidiano das mulheres nos mais diversos contextos. Histórias das mães, das avós, das tias, filhas e sobrinhas, dos dribles no patriarcado como resistência e do sofrimento com os quais muitas revelam identidade. Ivone Gebara ressaltou também, nesse sentido, a importância do “doméstico”, de se colocar um outro olhar sobre ele no campo da produção de bens e sentidos que nele se são, das relações que ali se constroem, superando a tradicional compreensão do doméstico como lugar de exploração das mulheres. Refletir sobre a presença de Deus neste cotidiano. Para a teóloga, “as mulheres não podem ser colonizadas por um Deus macho”.

As reflexões de Magali Cunha e Ivone Gebara instigaram intensas reações e questões das/os participantes, entre os/as quais estavam 26 homens, 25% das pessoas inscritas, uma parceria importante no debate.

O seminário está gravado no canal do Coletivo Memória e Utopia no Youtube, aberto à audiência.  Veja aqui.

O Movimento Social de Mulheres Evangélicas do Brasil (MOSMEB), contra a violência contra a mulher

Um videoclipe da cantora gospel Cassiane, lançado pela MK Music, em 17 de julho, romantiza e espiritualiza a agressão contra as mulheres.  O Movimento Social de Mulheres Evangélicas do Brasil (MOSMEB), criado como reação a este clipe, produziu um vídeo pedagógico para que se entender cena a cena quais são os tipos de violência retratados no clipe lançado no canal do youtube da MK Music.

O vídeoclipe traz uma encenação de situação de violência doméstica em que o marido pratica atos descritos na Lei 11.340, de 2006, e previstos como crimes na legislação penal como agressões: física, moral, patrimonial, psicológica e simbólica. E é praticada por maridos cristãos também!

O Coletivo Memória e Utopia é parte do Movimento Social de Mulheres Evangélicas do Brasil (MOSMEB), por meio da atuação da integrante Nalu Rosa e apoia a realização deste vídeo. Assista aqui. 

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