Coágulos são provocados por vacina e causa foi descoberta por pesquisadores alemães? Entenda

Publicado originalmente em Nujoc Checagem por Thalita Albano. Para acessar, clique aqui.

Circulou recentemente na rede social Instagram a notícia de que pesquisadores alemães dizem ter identificado a causa de coágulos raros provocados por vacinas contra a Covid-19. Entre as afirmações que aparecem no texto que circula, os coágulos sanguíneos considerados raros foram registrados em algumas pessoas que tomaram a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca/Oxford e da Johnson e Johnson.

O conteúdo foi encaminhado para nossa equipe através do aplicativo Eu Fiscalizo da Fiocruz (disponível para Android e iOS) e por meio dele, o Nujoc Checagem, com informações do Valor Econômico, de O Globo, verificou o mesmo constatando que a informação da descoberta dos coágulos de fato procede, contudo, é necessário cautela visto não ter estudos que comprovem a afirmação de que esses coágulos são de todo provocados pelas vacinas destacadas acima.

Um dos pesquisadores e coordenador da pesquisa realizada que afirma a descoberta é o professor da Universidade Goethe, em Frankfurt, Rolf Marschalek. Em uma reportagem publicada no jornal “Financial Times”, Rolf disse que sua equipe de pesquisa descobriu que o problema está relacionado aos vetores de adenovírus que ambas as vacinas usam para transportar a proteína spike do Sars-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, ao organismo.

Segundo Marschalek, o mecanismo de entrega faz com que as vacinas enviem a proteína spike para o núcleo das células ao invés de direcioná-la para o citosol, o fluído que preenche o interior da membrana celular, onde normalmente os vírus produzem as proteínas. Uma vez dentro do núcleo da célula, certas partes da proteína spike se juntam ou se separam, criando versões mutantes, que são incapazes de se ligar à uma membrana celular onde ocorre a imunização. Na sequência, essas proteínas mutantes são secretadas pelas células no corpo, gerando a reação que causa os coágulos sanguíneos em cerca de uma em cada 100 mil pessoas.

O pesquisador alemão afirmou ainda que o mesmo problema não ocorre com as vacinas baseadas na tecnologia de RNA mensageiro, como as desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna. Isso se explica porque elas entregam o material da proteína spike no fluído celular, evitando que ele entre no núcleo das células. “Quando estes genes do vírus estão no núcleo, eles podem criar alguns problemas”, afirmou Marschalek em entrevista ao Financial Times.

Rolf Marschalek disse ao jornal britânico que a Johnson e Johnson entrou em contato com sua equipe para pedir orientações e buscar maneiras para adaptar a vacina de modo a evitar essa divisão da proteína spike, e que apresentou as descobertas ao Instituto Paul-Ehrlich, a agência reguladora do governo da Alemanha, e ao órgão consultivo do país sobre vacinação e imunização.

Contudo, não há comprovações para o que Marschalek afirma, visto que estudos ainda estão sendo realizados e a própria pesquisa do cientista não foi revisada pela comunidade acadêmica. Diante disso, o jornal Financial Times salientou que a tese dos cientistas alemães ainda precisa ser comprovada por dados e revisada pelos pares e em consequência a isso, ouviu outros cientistas que expressaram cautela em relação às descobertas do pesquisador alemão, afirmando que mais evidências são necessárias para fundamentar as afirmações feitas por Rolf. Johannes Oldenburg, professor de Medicina da Universidade de Bonn destacou que “essa ainda é uma hipótese que precisa ser comprovada por dados experimentais”, falou ele argumentando que ainda faltam evidências para mostrar que há um efeito causal entre a divisão da proteína spike e a reação adversa.

De acordo com a reportagem do Financial Times, os coágulos sanguíneos raros foram registrados em 309 das 33 milhões de pessoas vacinadas com a AstraZeneca no Reino Unido, causando 56 mortes. Na Europa, 142 pessoas entre os 16 milhões de vacinados apresentaram o efeito adverso.

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