Ciência brasileira cresceu no Twitter em 2021 e impulsionou interesse por máscaras PFF2, mostra estudo

Publicado originalmente em Agência Bori. Para acessar, clique aqui.

Highlights

  • Estudo monitorou temperatura das redes de divulgação científica no Twitter ao longo de um ano
  • Debates científicos sobre a pandemia na rede aumentaram em 2021
  • Cientistas são pautados pelos assuntos do momento e usam sua expertise para gerar impacto

Os principais momentos da divulgação científica brasileira no último ano vieram em forma de reação ao noticiário da pandemia — como a aplicação de vacinas, a CPI da Pandemia e a realização da Copa América no Brasil. Dessa forma, divulgadores de ciência no Twitter conseguiram informar e qualificar assuntos relevantes no momento, para os quais havia demanda nas redes, o que se refletiu em engajamento e notoriedade para esses profissionais. As constatações estão em relatório inédito do Science Pulse, divulgado na quinta (23), que analisou milhões de tweets publicados ao longo de um ano.

A pesquisa, no entanto, também identificou um movimento no qual os divulgadores foram capazes de contribuir mais proativamente, em vez de reagir ao noticiário: o aumento no interesse por máscaras de maior qualidade. Segundo análise do assunto, divulgadores de ciência do Twitter provavelmente contribuíram diretamente para um maior interesse dos brasileiros pelo uso das máscaras PFF2 e N95, consideradas mais seguras e eficientes contra o coronavírus. A pesquisa aponta uma correlação positiva entre o interesse por essas máscaras no Google Trends e as menções de especialistas sobre o tema no Twitter.

Outro indicativo que suporta essa tese é que, enquanto entre o público em geral as buscas no Google por máscaras PFF2 superaram buscas por N95 somente em maio/2021, entre os perfis monitorados pelo Science Pulse o termo “PFF2” quase sempre predominou, o que sugere que os divulgadores contribuíram na disseminação desse interesse, ainda que não seja possível falar que eles são o único ou o principal fator para tanto.

Sobre o relatório

O relatório, lançado com apoio do Instituto Serrapilheira, apresenta um panorama de como se comportou o debate científico sobre a Covid-19 no Twitter de cientistas e especialistas entre setembro de 2020 e agosto de 2021.  Ao todo, são cerca de 1.500 perfis de instituições e especialistas na rede da comunidade científica brasileira e estrangeira monitorados pelo Science Pulse.

Para analisar o conteúdo do último ano, foi criado o indicador Índice Science Pulse (ISP), que mede a temperatura das redes, ou seja, o quão movimentadas elas estavam em certo momento do tempo. Ele leva em conta a frequência de publicações, número de usuários que publicam e engajamento produzido pelos tweets. Seu valor varia entre 0 e 100, sendo 0 o ponto mais “frio” e 100 o mais “quente” deste índice.

Os principais achados do relatório apontam que o movimento na rede de ciência brasileira no Twitter foi mais forte em 2021 do que no final de 2020, na direção contrária da rede de pesquisadores em inglês, e respondeu a alguns dos principais eventos relacionados à pandemia.

“Em momentos nos quais algum assunto relacionado a pandemia tomavam as redes, os experts qualificaram as discussões, com conhecimento técnico sobre o assunto em pauta. De outro lado, o público se engajou mais com esses tweets, mostrando a sua demanda por esse conteúdo”, observou Lucas Gelape, analista de dados do Science Pulse e autor do estudo.

O relatório aponta quatro picos de movimentação da rede brasileira no Twitter:

  • Aplicação da primeira vacina no Brasil. Os cientistas ajudaram a trazer notoriedade e conscientização para o início da vacinação e a necessidade de se imunizar a população — algo que estava fortemente polarizado no campo político antes da primeira dose, mas que os divulgadores de ciência promoveram como avanço científico e de saúde pública.
  • Escalada no número de mortes por Covid a partir de fevereiro/março. Cientistas alertaram frequentemente para o agravamento da pandemia e ajudaram a manter o assunto “quente” tanto na imprensa quanto na política, ao passo que problemas no Ministério da Saúde permearam o noticiário político.
  • Anúncio da realização da Copa América no Brasil. A avaliação negativa sobre o evento e a pressão de cientistas ajudou a trazer notoriedade para o assunto e pode ter tido efeitos em políticas públicas, como a decisão do governador de São Paulo de desistir de sediar o torneio no estado, além da realização das partidas sem público nos estádios.
  • Denúncias apuradas pela CPI da Covid no Senado Federal, em especial o depoimento dos irmãos Miranda. Marcou um posicionamento político da comunidade de divulgação científica nas redes, à medida que problemas no Ministério da Saúde e na campanha de vacinação, inclusive com fortes indícios de corrupção na compra de imunizantes, adensaram o debate sobre a pandemia.

Sobre o Science Pulse

Science Pulse é uma ferramenta gratuita de social listening criada para ajudar jornalistas e o público em geral a encontrar conteúdos científicos que são tendência nas redes sociais e a conhecer novos especialistas. Criado por Sérgio Spagnuolo, Knight Fellow do International Center for Journalists (ICFJ) e fundador do Volt Data Lab, ela faz parte do portfólio de aplicações de monitoramento de redes do Núcleo Jornalismo e conta com apoio do Instituto Serrapilheira e parceria institucional da Agência Bori.

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