Ação da OMS sobre o aborto seguro não é iniciativa para “matar inocentes”

Publicado originalmente em Nujoc Checagem por Fabrício Campos. Para acessar, clique aqui.

Um candidato a vereador de Sorocaba (SP) compartilhou em seu Instagram um post alertando que a OMS quer usar telemedicina para realizar abortos e “auxiliar mulheres a matarem seus filhos via automedicação”. Recebemos esta postagem como denúncia do Eu Fiscalizo.

O candidato Dylan Dantas, do PSC, se apresenta como conservador e afirma que a inciativa da OMS tem “a intenção de matar inocentes”.

O boato pode estar relacionado ao Dia Internacional do Aborto Seguro, 28 de novembro, uma ação na qual a Organização Mundial da Saúde chama atenção para a necessidade do aborto seguro como um direito à saúde reprodutiva e ao bem-estar da mulher. De acordo com a OMS, cerca de 45% dos procedimentos de aborto são realizados de forma insegura, devido ao acesso limitado à saude púbica em áreas rurais.

A pandemia da Covid-19 também serviu de alerta para a necessidade de atendimento em um contexto no qual não é possivel o contato social próximo e que, por isso, a telemedicina poderia oferecer um suporte para pessoas desassistidas.

No Brasil, o aborto é autorizado por lei em casos de estupro ou de risco de morte à mulher. Em nosso país, no entanto, a prática do aborto se traduz como expressão das desigualdades sociais. De acordo com a nota técnica “Atenção humanizada ao abortamento”, do Ministério da Saúde, “complicações físicas imediatas, como hemorragias, infecções, perfurações de órgãos e infertilidade se somam aos transtornos subjetivos, ao se vivenciar o ônus de uma escolha inegavelmente difícil num contexto de culpabilização e penalização do abortamento”.

Questões sobre o aborto são complexas, e envolvem moral, crenças e saúde pública. No entanto, não devem ser simplificadas como “assassinato” ou “matança de filhos”, conforme sugere a publicação.

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